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sexta-feira, 3 de abril de 2009

O casamento do príncipe herdeiro

O casamento do príncipe herdeiro D.João, com sus prima D.Leonor, estava desde 1466 concertado pelos dois irmãos o rei D.Afonso e D.Fernando duque de Viseu, muito embora os noivos contassem ela 8 anos e ele 11.

A morte de D.Fernando em 1470, teria permitido a D.Afonso alterar a opção matrimonial negociada, mas não o fez porque tal como ele já havia afirmado anteriormente, fizera voto de entregar o poder a seu filho, logo que este atingisse capacidade de governação, sendo o casamento uma forma de promover a estabilidade da coroa e desde logo assegurar a respectiva sucessão. Por esse motivo D.Afonso entendeu continuar as negociações do casamento com sua cunhada D.Beatriz.

O casamento só aconteceu em 1471 depois de obtida de Roma a necessária dispensa por impedimento de parentesco, em Setúbal em 22 de Janeiro, muito embora ainda por razões de idade, o respectivo contrato de compromisso só tenha sido rubricado em Lisboa a 16 de Setembro de 1473, após a sua consumação.

Este contrato estipulava que D.Leonor receberia de herança paterna a título de dote, o castelo de Lagos, e uma série de benesses em ouro jóias e rendas. Pela parte do rei os lugares de Sintra, Torres Vedras e Óbidos e igualmente várias rendas, bem como se estipulavam verbas a receber caso ficasse viúva. Enfim como se v~e um contrato de casamento minucioso e realmente muito benéfico para a jovem futura Rainha.

Quanto ao jovem príncipe , continuava a tendência para a entrega do poder, que como atrás disse o rei há muito preconizava, pois desde 1471, quando da tomada de Arzila que aqui referi, lhe tinha entregue a governação das "coisas de África", entregando-lhe também as rendas da Alfandega de Lisboa e dos tratos e rendas da Guiné.

Como disse apenas com 17 anos, já D.João mergulhava a fundo nos meandros da política ultramarina.


quarta-feira, 18 de março de 2009

A princesa Joana recolhe ao convento de Aveiro



O regresso triunfal de África, foram motivo de grandes festejos em todo o reino daquele que passou a usar o título de Rei de Portugal e dos Algarves dáquem e de além-mar em África. Procissões e festejos especialmente em Lisboa, como havia muito não acontecia há muitos anos.

Para toldar a felicidade do rei e do príncipe D.João, veio a notícia de que a infanta D.Joana, queria entrar para um convento, ao serviço exclusivo de Deus. Contava só 19 anos, era linda e adorada por todos o que fazia adivinhar, um futuro casamento real pomposo, mas que esta sua decisão anularia.

Muitas vezes havia formulado essa sua vontade ao pai, que sempre lhe negara autorização, pensando por certo que essa sua inclinação acabaria por passar. Tal não aconteceu, embora regente do Reino, enquanto seu pai e seu irmão combatiam por África, o certo é que logo que eles chegaram, aproveitou a ocasião para renovar o seu pedido, com o argumento extra que o fazia para agradecer a Deus a generosidade de os ter feito triunfadores e chegados salvos a casa.

O Conselho régio, aprovou a pretensão da infanta, pelo que ao rei não restou outra hipótese que não a de aceitar a decisão da filha muito embora tenha conseguido que o Conselho apenas considerasse a decisão como temporária, pelo que acabou D.Afonso V, por determinar que infanta pudesse passar algum tempo em retiro, junto de sua tia D.Filipa, no convento de Odivelas, sem contudo vestir o véu de freira.

As cortes de Lisboa, que se reuniram em 1472, vieram demonstrar que o povo, encarava com muito mais apreensão esta entrada da infanta na vida religiosa, que tomavam como definitiva e que colocava claramente, face a um eventual desastre a sucessão dinástica em perigo.

As explicações dadas aos delegados do povo, não colheram, chegando a ameaçar intervir junto do papa, contra o mosteiro, casa a infanta viesse a professar.

A infanta também não se agradava de Odivelas apenas aceitara esta opção, porque na altura lhe parecera melhor que nada, mas o seu objectivo era retirar-se para um pequeno convento em Aveiro, para viver suficientemente afastada da corte.

Foi então transferida para o convento de Santa Clara em Coimbra, já mais perto do seu objectivo. Uma coisa é certa a jovem infanta demonstrava, possuir além duma grande beleza, notável espírito negociador e diplomático, porque no percurso para Coimbra soube sugerir ao pai, uma pequena e rápida visita ao mosteiro para onde ele queria ir, era só um pequenino desvio, ao que o rei acabou por aceder.

Chegado a 4 de Agosto de 1472, ao tal conventinho, onde iria passar um pequeno retiro, nenhuma força, nenhuma argumento a fizeram mudar de ideias, de lá não continuar. Adoeceu por força dos jejuns e dos princípios que impôs a si própria. Gravemente enferma salvou-se a muito custo e provavelmente por pressão da coroa, as entidades religiosas acabaram por considerar que D.Joana, não poderia professar, por não poder suportar as severas regras do convento.

Consternada despiu o hábito, mas apenas simbolicamente, porque a prioresa do convento determinou que ela o poderia usar como irmã honorária, passando a viver como freira, sem o ser.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A tomada de Arzila



Sempre com o pensamento em África, pensou D.Afonso V numa nova aventura ultramarina desta feita contra Tânger, que contudo o Conselho avisadamente sugeriu que o ataque se fizesse peimeiro à praça de Arzila, por forma a enfraquecer as defesas que em forma de apoio essa praça não deixaria de prestar a Tanger.

Lá foram mandados os habituais espiões, desta vez Pero de Alcaçovas e Vicente Simões, disfarçados de mercadores para estudar a maneira de conquistar a praça.

Como habitualmente organizou-se a esquadra em 3 locais diferentes, Lisboa, Porto e Lagos, tendo posteriormente se reunindo em Lisboaas duas primeiras, navegando depois para Lagos.

A força reunida era significativa, mas com números diferentes entre os cronistas, podendo contudo estimar-se em cerca de 400 velas e 27 ou 28.000 homens, entre os quais, imprudentemente se encontrava o príncipe herdeiro,que caso acontecesse algum precalço, poderiam ficar por lá ,o rei e o príncipe herdeiro.


Partiram de Lagos a 18 de Agosto de 1471 chegando ao largo de Arzila, 3 dias depois já ao entardecer.

Pretendia-se não demorar em demasia o ataque , para que os mouros não tivessem oportunidade de se precaver, pelo que o Conselho decidiu iniciar o ataque logo pelo amanhecer do dia seguinte.


Algumas dificuldades no eventual desembarque, complicaram a entrada dos navios no porto interior, que só pode ser feito com recurso a embarcações ligeiras, gerando-se tal confusão, que chegaram inclusivamente algumas barcaças a despedaçar-se contra os recifes, morrendo inutilmente alguns combatentes.

Mesmo com essas baixas e deficiente armamento, porque as referidas condições de desembarque não tinham deixado que se trouxessem as bombardas maiores para terra o certo é que alguns dias depois a 24 de Agosto, as forças de D.Afonso V, tomaram a praça de Arzila, com inusitada violência, não acolhendo sequer aos pedidos de rendição que foram enviados.


Na violência da refrega dizem ganhou o jovem príncipe D.João, apenas com 16 anos as suas esporas de cavaleiro, mas igualmente morreram muitos fidalgos e cavaleiros portugueses.

No dia seguinte, foi a consagração da mesquita, transformando-a na igreja de Nossa Senhora da Assunção comemorando a data da saída de Lisboa.


A generosidade do rei, fez-se sentir nas comendas e títulos que destribuíu, não deixando de atribuir a D.Henrique de Menezes, conde de Valença e governador de Alcácer-Ceguer, igualmente a capitania da vila recém conquistada.

Foram igualmente feitas cativas mais de 5 mil pessoas entre as quais as duas mulheres e filhos de Mulei Xeque senhor de Arzila, mas que nessa altura ali não estava, porque havia partido para Fez em luta contra o xerife seu inimigo.

Naturalmente este também foi um factor que contribuiu para o êxito da missão .


A tomada de Arzila teve entre os mouros dolorosa repercussão, como se verá mais tarde.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A tomada de Anafé e a morte do infante D.Fernando

O irmão do rei D.Fernando, duque de Beja e de Viseu, pai do futuro rei D.Manuel que nascera nesse ano era sem dúvida o principal fidalgo do Reino. Senhor de Moura, Serpa, Covilhã e Lagos entre muitos outros territórios, senhor dos arquipélagos de Cabo Verde, Madeira e Açores e governador das ordens militares de Santiago e de Avis. Era realmente um dos poderosos da península, mas faltava-lhe um grande feito militar. Solicitou então a seu irmão a permissão para passar a África.

Nos início de 1469 o rei autoriza e cede-lhe igualmente alguma da sua força militar.

Anafé foi a praça escolhida para o ataque.Para além da riqueza agrícola, também era uma importante base para a pirataria que dali saía para atacar as galés portuguesas que navegavam, principalmente no estreito de Gibraltar.

Anafé, a actual Casablanca, acabou por ser presa fácil, para as forças do infante D.Fernando atendendo a que o ataque, não foi feito de qualquer maneira, tendo sido preparado previamente incluindo uma viagem de espionagem, feita pelo fidalgo Estevão da Gama, que ali se havia deslocado disfarçado de mercador de figo, para trazer indicações sobre o local.

Se fácil foi a conquista desde logo se percebeu quão difícil seria a sua manutenção, que exigia recursos humanos e militares avultados, que garantissem defesa contra futuros ataques.

Consciente dessa impossibilidade, optou o infante por pilhar o que fosse possível e destruír o mais possível as muralhas e a própria cidade, após o que regressou a Portugal.

Regressado ao reino, o infante, adoece gravemente e acaba por vir a falecer em Setúbal em 18 de Setembro de 1470, apenas com 37 anos, não sem antes ter negociado o casamento de sua filha D.Leonor de Lencastre com o príncipe herdeiro D.João.

D.Fernando foi sepultado no convento de São Francisco em Setúbal, de onde alguns anos mais tarde transladado para o Mosteiro de Nossa senhora da Conceição em Beja, que por ele e sua mulher havia sido edificado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A importância dos privilégios aos habitantes da ilha de Santiago

A questão do povoamento das ilhas Atlânticas, perante a aridez do clima, dos solos e da própria paisagem, a dificuldade de aceder ao litoral das ilhas, para já não falar da distância que separava o reino e a inexistência de riquezas naturais nestas ilhas Atlânticas, fizeram que poucos os europeus se disponibilizassem para as povoar.

Mesmo assim ainda houve alguns algarvios, que valendo-se da facilidade de saída para o Atlântico

Se estes brancos iam, embora com algum receio, de livre vontade, o mesmo já não se passava com os escravos. De facto, no início da colonização de Cabo Verde, a grande maioria da população que aí podíamos encontrar era constituída por escravos da Costa da Guiné.

Estes eram trazidos para Cabo Verde de forma a iniciarem o arroteamento das terras, bem como para serem disponibilizados para outros trabalhos, uma vez que já estavam adaptados ao clima.


O que se verificava, em relação aos brancos, era que só perante a concessão de muitas liberdades e regalias, alguns partiam em direcção às ilhas recém-descobertas.

Precisamente neste sentido o rei D. Afonso V concedeu aos habitantes da ilha de Santiago o exclusivo de participação no comércio da Costa da Guiné, à excepção da fortaleza de Arguim.

Esta foi a solução encontrada para que o povoamento pudesse prosseguir por estas paragens.

Concedeu todos estes privilégios através da Carta Régia de 12 de Junho de 1466. Esta carta de 1466 implicava um aumento de poderes por parte da coroa em detrimento das prerrogativas concedidas ao donatário da ilha de Santiago, que era D. Fernando.

A partir desta altura começam-se a encontrar alguns atractivos para a fixação nestas ilhas. Os privilégios concedidos pelo poder régio, em 1466, foram extraordinariamente importantes mas a estes vieram-se-lhe juntar outros factores que proporcionaram um mais rápido povoamento do arquipélago.

A partir desta altura os portugueses, uma vez que continuavam a sua caminhada pela costa ocidental africana necessitavam de um ponto de paragem e de estadia para comerciarem com os povos africanos, uma vez que a instalação nos Rios da Guiné era impossível quer pelas condições sanitárias e clima, quer pelas constantes ofensivas desencadeadas pelos povos indígenas destas zonas.

Além disso esta localização próxima da costa de África significava uma poupança de tempo muito grande, que era extremamente importante, principalmente quando falamos do comércio de cavalos e escravos. Daí que uma boa parte da população que passa a viver em Cabo Verde sejam mercadores, que estavam a retirar grandes lucros com esta situação.

Isto quer dizer que a privilegiada posição geográfica do arquipélago foi, sem dúvida, um dos mais importantes factores de colonização.

Mesmo assim, algumas ilhas permaneceram desabitadas e outras com um povoamento muito disperso, o que facilmente se compreende já que o povoamento que se vinha a desenvolver era essencialmente mercantil e logo muito limitado às zonas litorais mais próximas do continente africano e com melhores condições portuárias, sendo muitas vezes apenas temporário.

Créditos: Retirado daqui , um trabalho de Patrícia Isabel Rodrigues Gonçalves Pereira

domingo, 25 de janeiro de 2009

Cortes na Guarda

Para além da eventual questão sentimental, que poderia levar D.Afonso V a não aceitar a proposta de Henrique IV, para o casamento com a sua irmã, mas a perspectiva era boa demais para ser recusada.

Por essa altura nos nossos reinos vizinhos, era a grande a confusão, resultante da sucessão às coroas de Navarra e Aragão e ás atitudes dissolutas dos reis de Castela. A nomeação de D.Beltran como duque de Albuquerque, foi mais um episódio , que motivou uma revolta iniciada em Ávila, que alastrou às cidades de Burgos, Toledo, Córdova e Sevilha.

D;Joana a rainha de Castela, irmã de D.Afonso VI, assustada refugiou-se em Portugal, em busca de auxílio de seu irmão, que a foi buscar à cidade da Guarda.

D.Afonso quis logo entrar no conflito, para sair em defesa da honra de sua irmão, era assim a característica do seu feito, impetuoso e cavalheiresco e não fora a proibição das Cortes reunidas, então por certo teria acontecido uma guerra com Castela.

Mais um volte face a política de Castela, porque Henrique IV, acaba por se reconciliar com os que contestavam a sua legitimidade como rei e acaba por negociar com um dos conspiradores Pedro de Giron, mestre de Calatrava de novo a mão de sua irmã Isabel, que já se percebia nesta altura ser a moeda de troca favorita, do rei de Castela, anulando assim o compromisso assinado com o rei de Portugal.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

As hipóteses vantajosas de aliança com Castela(

Recuando um pouco no tempo, em 1455 a irmã de D.Afonso V casou com Henrique IV de Castela. Casamento em segundas núpcias, já que a sua primeira mulher Branca de Navarra, filha do rei João, tinha sido por ele repudiada, com o fundamento que ela era estéril. A repudiada respondeu com a acusação que incapacidade genésica.

As opiniões dividiam-se, uns alegando, que o rei Henrique tivera vários casos de mancebia, como por exemplo com Catalina de Sandoval, uma freira, mas que ele viria a acusar de infidelidade ao ponto de ter mandado degolar rival.


Para outros historiadores, essa atitude não passava de disfarce, para encobrir a sua incapacidade, ser dissoluto e de ter relações homossexuais.


O ambiente na corte, mesmo depois do casamento com D.Joana, era de verdadeiro pandemónio, a que não eram alheias o escandaloso porte tanto da bela jovem soberana como das suas açafatas.

As acusações de impotência do rei e a vida dissoluta da rainha, não deixaram de criar só por si alguma
confusão na corte, quando a rainha Joana, deu à luz uma menina, ao fim de sete anos de casada.

Na altura atribuí-se a paternidade da criança, a um jovem fidalgo muito íntimo do casal real, de seu nome D.Beltran de la Cueva. desde logo a jovem menina a quem foi dado o nome de Joana, como sua mãe, passou a ser tratada entre dentes, como a Beltraneja, que lhe ficou para o resto da vida, para mais porque à medida que ia crescendo, mais se acentuavam as semelhanças com D.Beltran, nomeado conde de Landesma, mais tarde duque de Albuquerque e mestre de Santiago.


O rei Henrique, desta vez não optou por mandar cortar a cabeça do rival como no caso com Catalina de Sandoval, mas bem pelo contrário, cobri-lo de honrarias.

Toda esta situação, veio a culminar, num conflito armado entre os outros reinos da Península, que não cabe no âmbito deste blogue abordar, pelo menos por agora.
O certo porém é que esse conflito, veio justificar a necessidade de Henrique de Castela, procurar aliados.

Por forma a interessar D.Afonso V, na sua causa, oferece-lhe a mão de sua irmã Isabel, futuramente conhecida como a Católica, num encontro que viria a acontecer em Gibraltar, em Janeiro de 1464.


Informações da época, não faziam crer, que D.Afonso V,pensasse em voltar a casar, depois de enviuvar ele amava profundamente a sua mulher, mas as razões de estado que poderia supor vantajosa, uma aliança entre as coroas de Portugal e Castela, levaram-no a considerar possível esse casamento, tanto mais que Castela alargara a oferta e para além da mão de sua irmã ao rei de Portugal, também incluía o convite para o futuro casamento entre o herdeiro português D.João e sua pequena "filha" a Beltraneja, já nessa altura reconhecida, em cortes efectuadas em Madrid, como herdeira do trono de Castela, com o título de Princesa das Asturias.

Era uma oferta demasiado tentadora

domingo, 4 de janeiro de 2009

A tentativa falhada de conquista de Tânger

Uma complicada teia de acontecimentos, em que se envolveram dois jovens fidalgos Diogo de Barros e João Falcão, que chegaram a tentar alistar-se no exército do rei de Fez, que operava em África, sob a orientação do duque de Medina Sidónia, mas só depois de incorporados nas forças de Alcácer Ceguer, participando em nalgumas razias sob o comando do governador D.Duarte de Menezes, conseguiram recolher informações sobre a forma de entrar na praça de Tânger.

A missão de espionagem correu muito bem, pelo menos assim o considerou D.Afonso V, logo que os referidos fidalgos lhe comunicaram o que haviam recolhido, de tal forma que Tânger passou ser o alvo secreto a atingir em África.Muito embora estas informações recolhidas, viesse a não servir de muito, atendendo ao modo como os acontecimentos subsequentes vieram a decorrer

A 7 de Novembro de 1463, D.Afonso V e o seu irmão Fernando, partiram de Lisboa, com a armada formada, com o apoio financeiro de Martim Leme um rico mercador flamengo.

A pressa do rei era enorme, de tal forma que nem aceitou as recomendações que lhe fizeram de se acolher junto a Silves, por se preverem más condições atmosféricas, o que efectivamente aconteceu, vindo a perder-se bastante carga, um navio e uma caravela, perecendo algumas pessoas que a tripulavam.


Chegaram a Ceuta a 12 de Novembro, partindo de seguida para Alcácer Ceguer, mas dividindo forças entre forças terrestres a navais, mas a precipitação, quer dos preparativos, quer os incidentes resultantes do pouco cuidado na viagem, fizeram claramente abortar a missão, regressando a missão a Ceuta.

sábado, 25 de outubro de 2008

A governação da Ordem de Cristo

A morte do Infante D.Henrique em 1460, trouxe a necessidade da sua substituição no governo da Ordem de Cristo que fora criada pela Bula Ad ea ex-quibus do Papa João XXII, acedendo aos pedidos do rei D. Diniz , para suceder à extinta Ordem do Templo e que recebeu o nome de Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Infante era seu grão-senhor desde 1454 por efeitos da bula de Nicolau V, e a herança do governo desta ordem foi concedida pelo papa Pio II, pela bula Dum Tua ao rei D.Afonso V, mas que viria em Julho a emitir nova bula de nomeação em favor de D.Fernando, duque de Viseu, irmão do Rei, por desistência de D.Afonso V à liderança da Ordem de Cristo.

Diga-se que era a Ordem de Cristo que controlava o conhecimento das rotas e o acesso às tecnologias de navegação, pelo que o governo desta Ordem, era considerado o mais rentável e fonte de poder, não admirando que no caso de D.Fernando, se tivesse dado continuidade, também a essa linha, pois D.Fernando já era o herdeiro nomeado do poderoso Infante D.Henrique, seu tio.

D.Fernando também neste ano de 1461, havia trasladado para o convento da Batalha o corpo de seu tio que tinha sido primeiramente depositado na igreja de Lagos.

Sobre o túmulo vê-se a sua estátua de pedra, que em relevo o representa ao natural, vestido de armas brancas. e coroado de coroa real entretecida de folhas de carvalho, e uma rosa no meio; tem nela três escudos: o primeiro com as armas do reino de Portugal e as suas, e nos outros dois as insígnias das duas ordens que professara, de Cristo e da Jarreteira

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O achamento de Cabo Verde

Foi em 1460 que Diogo Gomes e António da Nola, ao voltarem duma viagem de exploração à costa da Guiné, aportaram à ilha de Santiago.

Na continuação dessa viagem de regresso descobriram também as ilhas Maio, Fogo, Sal e Boavista.

Em 1461 e 1462 Diogo Afonso chegou às ilhas de Santo Antão, São Nicolau, São Vicente, Brava e Santa Luzia.

Estava descoberto o arquipélago de Cabo Verde, deserto, mas cedo povoado por colonos portugueses.

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O arquipélago de Cabo Verde é formado por dez ilhas e cinco ilhéus As ilhas de Barlavento: Santo Antão (779 km), São Vicente (227 km), Santa Luzia (35 km) , São Nicolau (343 km), Sal (216 km) e Boavista (620 km), e os ilhéus Branco (3 km) e Raso (7 km). As ilhas de Sotavento: Maio (269 km), Santiago (991 km), Fogo (476 km) e Brava (64 km), e os ilhéus Grande (2 km), Luís Carneiro (0,22 km) e Cima (1,15 km).

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Morte do Infante D.Henrique

No regresso da África, D.Afonso V, intitula-se "Dom Afonso, por graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve, Senhor de Ceuta e de Alcácer em África", reflectindo o seu enorme sonho de conquista em Marrocos.

Ao mesmo tempo começa a partir dessa altura a observar-se em crescendo, excessos da nobreza que só foram possíveis devido às omissões do poder central e aos abusos cometidos por parte da fidalguia que provocaram enormes conflitos entre os povos e os procuradores dos concelhos.

Deve também dizer-se que as consequências de Alfarrobeira, havia acentuado esta tendência, para a compensação aos adeptos da causa de sua mãe, não deixando contudo de vir mais tarde a perdoar aos seguidores de D.Pedro.

Irreflectidamente pródigo D.Afonso V, contrariava o espírito da revolução burguesa de 1383, ao aclamar rei seu avô, o Mestre de Avis, que foi marcada pela participação de linhagens de segunda ordem ao lado do Mestre de Avis

As preferência pessoais em relação à família Bragança, incluía outra linhagem, os Vasconcelos. Esta família,na pessoa de D. Afonso de Cascais, foi perseguida pelo regente D. Pedro devido à sua fidelidade à rainha D. Leonor, mãe do rei, durante o breve período em que esta ocupou o poder. Após este apoio, os Vasconcelos em sua maioria, foram obrigados a viver exilados.

A partir de 1450, a sua posição de destaque, com Afonso Vasconcelos de Cascais, futuro Conde de Penela, uma das mais importantes fortunas nobiliárquicas da segunda metade do século XV.

O fortalecimento das casas senhoriais em detrimento do poder da coroa, foi um dos aspectos mais marcantes deste reinado.

Para contribuir para a alteração da composição nobiliárquica, o ano de 1460 iria conhecer uma série de acontecimentos funestos, que iriam abalar a corte portuguesa. Ás mortes do marquês de Valença e do conde de Ourém, juntar-se-ia a do Infante D.Henrique em Sagres no dia 13 de Novembro e poucos dias depois o velho duque de Bragança, cabecilha na oposição ao regente D.Pedro, seu meio-irmão. Se por um lado, D.Afonso V, perdeu a cerceadora influência política política, também perderia os seus conselhos.

Eram estes dois últimos personagens os homens mais ricos e influentes em Portugal, nesta época. Quanto a D.Henrique passou o seu filho adoptivo D.Fernando (pai do futuro rei D.Manuel) a deter o maior senhorio de Portugal.

Mesmo sem levar em linha de conta que da sua havia abdicado pouco antes da sua morte das ilhas cabo verdianas de S.Luís, S.Dinis, S.Jorge, S.Tomás e Santa Joana ao rei D.Afonso e as de Santa Maria e de S.Miguel nos Açores à Ordem de Cristo.

sábado, 19 de julho de 2008

Ataques a Alcácer-Ceguer repelidos

A retaliação moura pela perca de Alcácer Ceguer não se fez esperar. Estava ainda D.Afonso V em Ceuta, quando foi avisado que o rei de Fez Abde Alaque, se preparava para retomar aquela praça
.
Relembre-se que este rei era ainda o mesmo, que tinha tomado como cativo o infante D.Fernando, para se perceber a carga emotiva que comportava, de tal forma que D.Afonso ainda em Ceuta, quis de imediato, acorrer ao reforço de Alcácer-Ceguer, não fosse o conselho militar lhe demonstrar a inconveniência de tal acto.

A forma medieval e poética que se encontrou na defesa da honra portuguesa, foi a de mandar desafiar o rei de Fez, à boa maneira medieval, para uma batalha campal, resposta que esse desafio não teve porque os emissários fora recebido a tiro e tiveram que retroceder.

A esqudra portuguesa aportou ao largo de Alcácer-Ceguer, mas de nada serviu, pois os mouros que sitiavam as muralhas não se amedrontaram, nem aos sitiados foi possível fazer chegar qualquer tipo de ajuda.

A esquadra teve que regressar a Portugal e o que é certo é que, a defesa militar da praça sob o comando de D.Duarte de Menezes, resistiu durante 53 dias e causando tantas perdas ao inimigo que acabaram estes por retirar.

As reparações nas muralhas e a construção duma couraça que permitirá, em ataques futuros uma ligação ao mar, viria a permitir que novo ataque desferido 6 meses depois em 2 de Julho de 1459, voltasse a não ter êxito favorável ao rei mouro, permitindo até que por essa mesma couraça, viessem a escapulir-se a esposa do governador e outras donzelas do seu séquito.

A comandante de Alcácer-Seguer haveria D.Afonso V em Abril de 1460, quando numa visita a Portugal de o premiar elevando-o a conde de Viana.



sábado, 5 de julho de 2008

A conquista de Alcácer Ceguer

A poderosa armada então reunida, composta por cerca de 280 naus, galés e outros navios, pelos cálculos de Damião de Góis, bem como cerca de 26.000 homens de combate, para além da tripulação e os serviçais.

A armada partiu de Lagos a 17 de Outubro de 1458, lançando ferro dois dias depois diante de Tânger, terra de dolorosas recordações para os portugueses, que ali haviam deixado como refém o infante D.Fernando que morrera em cativeiro.

A tentação de atacar essa praça foi forte na cabeça de D.Afonso V que chefiava a armada, no sentido de vingar a memória de seu tio, mas o conselho militar desaconselhou esse intento e a alteração de planos.

A aceitação dessa opinião do conselho fazia lei na épova superior à vontade do soberano. Muito embora nada o impedisse de a não respeitar, a tanto se não abalançou o rei, por corresponder ao assumir por seu único risco o ónus do eventual desastre, que não deixaria de ser criticado em cortes futuras.

Levantando ferro para dar cumprimento ao plano estabelecido, foi a armada fundear a 21 de Outubro defronte de Alcácer Ceguer.

As primeiras escaramuças foram naturalmente na praia, ao desembarque dos primeiros portugueses, mas com tal ímpeto se deu o ataque que aos mouros nada mais restou que se refugiarem dentro de muralhas.

Os combates demoraram 2 dias, até que o derrube das muralhas por bombardas, conseguira demonstrar que a sorte do ataque seria favorável aos portuguese, pelo que os sitiados temendo serem chacinados, propuseram a rendição na condição de permitirem a saída dos moradores com seus haveres.

Obtido o consentimento, com a condição de entregarem todos os reféns e todos os cativos cristãos que na vila houvesse. Saído o último habitante então se organizou uma procissão, com D.Afonso apeado para tomar posse da praça, até à mesquita que fez consagrar e dedicar a Santa Maria da Misericórdia.

Grandes festejos e distribuição de mercês se seguiram, tendo sido nomeado D.Duarte de Menezes capitão da praça conquistada. Após as respectivas reparações e reforço de guarnição, retira a esquadra com destino a Ceuta.

Era a primeira vez que o Africano, visitava Ceuta, ao chegar lá e ao comparar a grandeza e o esplendor desta cidade, com a pequenez e a pobreza de Álcacer Ceguer, cuja conquista tanto o satisfizera, não deixava agora de experimentar alguma decepção.


terça-feira, 3 de junho de 2008

Acontecimentos no ano de 1457

*-Os preparativos para a conquista de Alcácer Ceguer

O abandono da ideia de enviar cerca de 12000 homens ao Oriente para ressarcir o mundo cristão da perda de Constantinopla, por um lado face ao desinteresse manifestado por outras coroas europeia, teve algumas repercussões na corte portuguesa.

A discussão nos conselheiros do rei foi intensa, entre os defensores da continuação da tese da cruzada a Constantinopla, como o influente conde de Ourém já então marquês de Valença, e outros nobres como o infante D.Henrique que defendiam a tese da transferencia de recursos para o norte de África, centralizado primordialmente na defesa de Ceuta, constantemente atacada.

Decidiu-se então enviar ao Norte de África um exército de vinte e cinco mil homens, com o objectivo militar da conquista de Alcácer-Ceguer, no estreito de Gibraltar.

Desta vez, para que não acontecesse o mesmo que anos antes quando da conquista de Ceuta, guardou-se segredo deste intento, para apanhar os muçulmanos desprevenidos.

Constituiu-se a armada em três pontos diferentes do País, no Porto, em Lisboa e em Lagos, cada um dos pontos sob a direcção de 3 responsáveis, sendo D.Afonso V pessoalmente responsável pela constituição da armada de Lisboa. Porém e devido a uma peste ocorrida em Lisboa (habitual atendendo às péssimas condições de higiene, acabou por ser transferida para Setúbal.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Acontecimentos no ano de 1456

*-Diogo Gomes chega ás ilhas Bijagós

Diogo Gomes era moço da câmara do infante D. Henrique e foi também seu navegador. Para além de uma viagem à Madeira, terá participado, com Gil Eanes e Lançarote, na expedição militar à ilha de Tider.

Diogo Gomes navegou em 1456 até à embocadura do rio Grande, canal do Geba, capitaneando uma esquadra de três navios.

No regresso subiu o rio Gâmbia até Cantor, onde obteve as primeiras informações sobre as explorações mineiras no Senegal e Alto Níger, bem como acerca das rotas saharianas do ouro e do importante entreposto comercial que era Tombuctu..

Durante esta expedição, Diogo Gomes capitaneava uma esquadra de três navios. Possivelmente no regresso desta exploração tocou o arquipélago de Cabo Verde, cujo descobrimento reclama para si, na companhia do italiano António de Noli.

*-Bula papal de Calisto III sobre Ceuta

Bula papal concedendo a D.Afonso V o estabelecimento na cidade de Ceuta de 4 conventos, correspondendo a igual número de ordens militares existentes no reino.

O Papa nº 210 Calisto III, nascido Afonso de Bórgia, nomeado papa em Abril do ano anterior, fi o papa que reviu a sua condenação de Joana D’arc e reconheceu sua inocência em 1456, foi o fundador da "dinastia papal" da família.

*-A nova cruzada pregada por Calisto III

O papa Calisto III intentou organizar uma cruzada para reaver Constantinopla que havia caído às mãos dos turcos em 1453. Pretendeu Calisto III organizar uma armada internacional que desde logo obteve a concordância de D.Afonso V.

Calisto III envia em 15 e Fevereiro o legado pontíficio por acaso o português D.Álvaro Afonso bispo de Silves, para presidir à colecta da dízima para essa cruzada.

As ordens eram claras, induzir as 4 ordens militares existentes Cristo, Avis, Santiago e do Hospital a entrarem no combate aos turcos, sob pena de excomunhão e de perda dos ofícios.

A insistência papal levou a que D.Afonso V proferisse publicamente em 25 de Julho deste ano, um voto de tomar parte na cruzada contra os turcos, nomeando e enviando como embaixador à cúria romana João Fernandes Silveira, que viria a confirmar esse mesmo voto em Roma, a 8 e Setembro.

O empenho de D.Afonso V, não pareceu contudo ter igual repercussão noutros reinos Europeu como Aragão, Nápoles, França os ducados de Borgonha e de Sabóia, entre outros. Sem embargo do papa ter armado uma frota de 25 velas comanda pelo cardeal Scarampi e o português João Vasques Farinha como vice-almirante.

Provavelmente por força desse menor empenho europeu, pela iniciativa papal, ou por outra razão qualquer o certo e que o interesse do nosso rei arrefeceu um pouco, preferindo vir a utilizar os eventuais efectivos militares portugueses, no reforço da praça de Ceuta.

sábado, 3 de maio de 2008

Acontecimentos no ano de 1455

Através da Bula Romanus Pontifex,o papa Nicolau V em 8 de Janeiro de 1455, concede ao rei de Portugal, seus sucessores e ao infante D.Henrique, as terras descobertas ou a descobrir pelos Portugueses.

Que vai desde o cabo Bojador e do cabo Não, correndo por toda a Guiné, passando além dela e vai para a plaga meridional, declaramos pelo teor da presente que também tocou e pertenceu ao mesmo rei D.Afonso e a seus sucessores e ao infante, com exclusão de quaisquer outros e que perpetuamente lhe tocam e cabem por direito.

Este é o texto parcial da bula referida , que inicia o verdadeiro interesse papal pelas viagens além do Cabo Bojador, concedendo para além da própria expansão em si e do estímulo pela descoberta, os direitos de conquista e submissão de povos à servidão, tal como mais tarde Alexandre VI fará em 1493 com a bula Inter Coetera ,idêntica concessão à Espanha

Todavia, o rei português tem que garantir o governo espiritual das novas terras. Tem que enviar missionários e aí fundar igrejas, onde se possam ministrar os sacramentos.

Devem também ser aí criados mosteiros e outros locais de culto e oração. A bula vai mais longe ao dizer que o comércio nestes territórios ultramarinos é de exclusiva pertença dos portugueses e que quem neles exercer comércio sem licença, poderá vir a ser excomungado.


  • Março-Cortes de Lisboa
Nestas cortes em Lisboa, foi a última vez que se fez menção explícita à falta de população, a partir daí multiplicam-se os indícios de recuperação demográfica.
Foram també concedidos os pedidos com destino ao casamento de D.Joana irmã de D.Afonso V com Henrique IV de Castela.
Em Junho deste ano voltaram a reunir-se as cortes em Lisboa, com o fim de ser jurado o princípe herdeiro o futuro D.João II
  • Maio, 03-Nascimento em Lisboa do infante D.João, que viria a ser o rei D.João II.
Nasceu em Lisboa no Paço das Alcáçovas no Castelo de São Jorge no dia 3 de Maio de 1455. Era filho do rei D.Afonso V de Portugal e de sua prima Isabel de Urgel, princesa de Portugal e filha de D.Pedro e de D. Isabel, duques de Coimbra.

Pelo lado paterno é neto de D.Duarte e da princesa Leonor de Aragão.

As avós são ambas aragonesas e os avós e os pais portugueses É um rei ibérico também nos seus antepassados mais próximos, já que apenas a sua bisavó D.Filipa de Lencastre o não era.
  • Julho,20-Carta régia de ilibação de todos os que se colocaram ao lado do infante D.Pedro em Alfarrobeira.
  • Dezembro,02-Falecimento de D. Isabel de Aviz, rainha consorte de D. Afonso V .
Rainha de Portugal, filha do Infante-Regente D. Pedro, Duque de Coimbra e de sua mulher a princesa D. Isabel de Aragão, Condessa de Urgel, filha do rei Jaime II de Aragão. Casou em 6 de Maio de 1447 com o seu primo direito D. Afonso V.

Foi mãe de D. João II e de Santa Joana Princesa, ou princesa Santa Joana de Portugal.

Sua irmã mais nova e solteira, D. Filipa de Lancastre, infanta de Portugal, que vivia recolhida, embora sem professar, no Mosteiro de Odivelas, serviu então de mãe aos filhos da Rainha.

Antes de morrer, a rainha D. Isabel de Aviz vai obter do rei e marido o arrependimento pelo tratamento dado ao Infante das Sete Partidas, cuja desgraça causara espanto, escândalo e consternação na Europa de 1449; a reabilitação da memória de D. Pedro ficou manifesta nas grandes cerimónias, ordenadas por D. Afonso V, de trasladação processional do corpo do Infante assassinado da humilde igrejinha de Alverca, onde por caridade o haviam sepultado em segredo, sob os degraus de pedra da entrada, alguns pescadores do rio Tejo, para Sta. Maria da Vitória da Batalha, junto de seus pais e irmãos.






terça-feira, 15 de abril de 2008

Acontecimentos no ano de 1454


  • Gomes Eanes de Zurara guardador da Torre do Tombo
Cronista português, filho do cónego Joane Gomes de Zurara. Foi educado sob a protecção de Afonso V, tendo, posteriormente, substituído Fernão Lopes nos cargos de cronista oficial da corte e guarda-mor do arquivo da Torre do Tombo, em 1454. Foi, desde 1451, responsável pela livraria real.

São da sua autoria a Crónica da Tomada de Ceuta ou Terceira parte da Crónica de D. João I (1450, sendo as duas primeiras partes da autoria de Fernão Lopes), a Crónica dos Feitos da Guiné (1453), a Crónica de D. Pedro de Menezes (1463) e a Crónica de D. Duarte de Menezes (1468).

Zurara era filho ilegítimo de um cónego e pensa-se que a sua formação tenha sido feita, já tardiamente, na corte do rei D. Afonso V. Foi cavaleiro da ordem de Cristo e comendador de Alcains, da Granja do Ulmeiro e de Pinheiro Grande.

As suas crónicas diferem substancialmente das do seu antecessor, Fernão Lopes. Por um lado, as condições políticas haviam sofrido alterações.

O reinado de Afonso V marcou um certo regresso a uma mentalidade feudal. As crónicas de Zurara são, antes de mais, elogios de grandes senhores (por exemplo, do infante D. Henrique, ou de Duarte e Pedro de Menezes), e não tanto, como as de Fernão Lopes, frescos de uma época, retratos históricos das diversas partes — incluindo o povo — que nela intervieram.

Por outro lado, os seus métodos de investigação divergiam também dos de Fernão Lopes. Em vez do confronto de diferentes fontes escritas, Zurara recorria sobretudo ao testemunho oral dos protagonistas dos acontecimentos relatados.

De referir que, embora envolvido pelo espírito de cruzada que animava as conquistas africanas, Zurara manifesta sentimentos de piedade para com as vítimas dessas guerras, bem como para com os primeiros escravos negros vendidos em Portugal, em Lagos, episódio que relata na Crónica dos Feitos da Guiné.

Embora historicamente rigorosa, falta ao seu trabalho uma visão de conjunto. O seu estilo revela já traços da cultura clássica e erudita do Renascimento, por vezes sob a forma de um discurso excessivamente afectado.


Créditos :História da Literatura Portuguesa

  • Contratação de Cadamosto para o serviço do Infante

Este ano foi o da contratação pelo Infante D.Henrique do navegador veneziano Alvise de Cadamosto, para realizar algumas viagens ao serviço de Portugal
Ainda jovem chegou a Portugal com cerca de 20 anos, mas já com bastante experiência de navegação sendo certo que habitualmente em águas Mediterrâneas.

Foi o acaso de numa viagem com destino a Bruges, o navio onde seguia ter sido obrigado a acolher-se junto ao Cabo de S. Vicente, devido aos ventos contrários. Foi essa a oportunidade para o convite, para as viagens de exploração ao longo da costa de África, prometendo avultados lucros aos participantes. Foi esse intento que levou Cadamosto a abandonar a carreira do Norte da Europa, embarcando numa caravela armada pelo Infante na qual o veneziano foi como mercador.

Viria a realizar duas viagens ao serviço do Infante, após o que voltou para Veneza onde seguiu a carreira política como era costume entre os homens nobres da sua cidade.

Ao serviço da coroa portuguesa explorou a costa ocidental da África, sendo-lhe creditado o descobrimento de algumas das ilhas de Cabo Verde e a exploração da foz do rio Gâmbia e costa adjacente, incluindo o arquipélago dos Bijagós.

  • Nomeação do Infante D.Henrique para a Ordem de Cristo
A Ordem de Cristo era uma versão lusa da Ordem dos Templários que ao invés de se indispor com a monarquia como ocorreu com os templário franceses com Felipe o belo, foi por ela instrumentalizada e mobilizada para a conquista dos mares.

O que de concreto se sabe é que o Infante, como grão-senhor da poderosa Ordem de Cristo recebeu em 8 de janeiro de 1454, do papa Nicolau V, o monopólio da exploração comercial das actividades praticadas na costa africana até a Índia.

Isto tornou-o, objectivamente, um grande interessado em estimular o desbravamento dos mares. Daí denominar-se as primeiras décadas do século 15 como a era dos descobrimentos Henriquinos.

sábado, 5 de abril de 2008

Doação da ilha do Corvo ao infante D.Afonso duque de Bragança

  • Janeiro,20-Doação da ilha do Corvo ao infante D.Afonso duque de Bragança.
Em aparente contradição com o as disposições testamentárias de D.Henrique, a carta de doação de D. Afonso V ao Duque de Bragança, seu tio, encontra-se pela primeira vez a referência à ilha do Corvo. Face à importância desta grande figura da nobreza parece um pouco estranho que lhe tenha sido doado o Corvo e não a ilha das Flores, considerando o insignificante tamanho desta ilha, a distância a que se encontrava do reino e tendo em conta que na Terceira ainda haviam terras por povoar.

  • Maio,30-D.Pedro é reempossado como Mestre de Aviz
D. Pedro era filho do Infante D. Pedro, Duque de Coimbra e Regente de Portugal, e de Isabel de Urgel e Aragão, filha de Jaime II de Urgel, um dos pretendentes ao trono catalão e que havia refugiado em Castela, volta a Portugal, reconciliado com o rei, que o reempossa do Mestrado de Aviz, cargo que seu pai D.Pedro, enquanto regente o havia empossado em 1444, que acrescentou ao de Condestável que havia sido nomeado 1 ano antes

sábado, 29 de março de 2008

Diogo de Teive descobre as ilhas do Corvo e Flores(1452)

Diogo de Teive foi capitão de caravela e escudeiro do Casa do Infante D. Henrique, e em 1451 desembarcou na Terceira como ouvidor do Infante com a missão de realizar viagens exploratórias nos arredores do Atlântico, conhecido como Mar dos Açores.

No regresso de sua 2.ª viagem de exploração, em 1452, terá sido descoberta em simultâneo a Ilha das Flores e do Corvo, já que as ilhas se avistam mutuamente.


Não se deve atribuir a mera sorte essa descoberta, já que em mapas genoveses anteriores, são mencionadas a existência desta Insula Corvi Marini (Ilha dos Corvos Marinhos).

Apesar de ter sido esta a origem do nome, sua primeira designação foi a de Ilhas Floreiras, depois, Ilha de Santa Iria, mas foi também chamada de Ilhéu das Flores, ilha da Estátua, ilha do Farol, ilha de São Tomás e ainda de Ilha do Marco, nome que persistiu durante alguns séculos em razão do monte do Caldeirão servir como referência geográfica para os marinheiros.


Apesar da incerteza quanto à data do achamento português da ilha, é seguramente anterior a 20 de Janeiro de 1453, data em que o rei D. Afonso V de Portugal faz doação destas ilhas, a seu tio D. Afonso de Portugal, duque de Barcelos.


  • Fevereiro,06-Nascimento de Joana de Portugal (princesa - filha de D. Afonso V e D. Isabel)
Publiquei no blog de D.João II, uma entrada no ano de 1490 data da sua morte onde se pode ler algumas notas sobre a sua biografia, clicando aqui.

  • Autorização do infante D.Henrique para que Diogo de Teive montasse uma fábrica de açúcar na Madeira.
Alguns investigadores sugerem que esteve relacionado com o desaparecimento do nobre flamengo Jácome de Bruges, Capitão donatário da ilha. Diogo de Teive veio viver para a Ribeira Brava, após 1472. Diogo de Teive, e seu filho, João de Teive, detiveram direitos sobre as ilhas até 1474, ano em que D. Fernão Teles de Meneses, casado com D. Maria de Vilhena, comprou os direitos sobre as ilhas. Foi então concedido autorização para a construção do engenho a Diogo de Teive, apresentando já, provavelmente, a nova técnica de um moinho de dois eixos de madeira horizontais, criado especificamente para a cana-de-açúcar, que, segundo alguns autores, surge na Madeira, como inovação resultante do desenvolvimento técnico renascentista, no início da idade moderna.
  • Abril,08-Perdão geral a servidores de D.Pedro, que tinham combatido a seu lado em Alfarrobeira.
Este perdão foi concedido "à gente miúda de Coimbra, Montemor-o-Velho, Penela, Tentúgal, Vila Nova de Anços, Aveiro, Lousã e Miranda, habitantes das terras do ex-regente D.Pedro.

  • Infante D.Henrique manda erguer a Ermida de Santa Maria de Belém
Antecessora do Mosteiro dos Jerónimos . Entregou-a aos monges da Ordem de Cristo com a incumbência de prestar assistência ao muitos marinheiros que ali chegavam. É a partir desta altura – e graças a esta Ermida - que o local passou também a ser conhecido por Belém, tal como a terra natal de Jesus Cristo.


quarta-feira, 19 de março de 2008

Casamento de D.Leonor com Frederico III


As primeiras cortes realizadas no período pós regência foram as de Santarém. Um dos motivos que levou à sua convocação foi o lançamento do pedido destinado a custear as despesas de casamento de D.Leonor irmã do rei com o Imperador Frederico III da Alemanha.

D.Leonor era irmã do rei, e o casamento por procuração viria a realizar-se no dia 9 de Agosto deste mesmo ano, mas os grandiosos festejos tiveram lugar em Lisboa entre os dias 13 e 25 de Outubro.

Estiveram presentes embaixadores que representavam os reis de toda a Europa e durante dias e noites realizam-se, banquetes, danças, jogos, cortejos, touradas e matança de touros, cuja carne era distribuída pelo povo, exibição de animais e homens exóticos que haviam sido trazidos de África, torneios, justas, duelos e caçadas, representações teatrais, declamações de discursos de homenagem à princesa.

Este casamento fora negociado no ano anterior pelo barão do Alvito, João Fernandes da Silveira, em Nápoles para concretizar este casamento.

Depois dos festejos partiu uma armada de Lisboa, com destino a Itália, onde se iria efectuar a coroação do casal em 19 de Março de 1452, pelo papa Nicolau V, sendo Frederico III o último imperador ali coroado.