sábado, 7 de Novembro de 2009

Acontecimentos no ano de 1444

  • O Papa Eugénio IV eleva D. João Manuel, filho bastardo de D.Duarte, fruto duma ligação a uma nobre castelhana D. Juana Manuel, ao título de bispo de Ceuta, obtendo logo a seguir o título de primaz da África.
Antes do casamento teve D. Duarte um filho de D. Joana Manuel, nobre de ascendência castelhana:

D. João Manuel, nasceu em data anterior a 1420, e morreu em fins de 1476, sendo sepultado na Igreja do Carmo, em Lisboa. Foi religioso desta Ordem, onde em 1441 exerceu o cargo de provincial e recebeu o título de bispo de Tiberíades.

No ano de 1443, quando da vacatura do bispado de Ceuta, foi provido nesse múnus, obtendo logo a seguir o título de primaz da África.

Em 1450 era capelão-mor de D. Afonso V e, nove anos depois, bispo da Guarda, cidade onde nunca residiu. Deixou dois filhos, D. João Manuel e D. Nuno Manuel, que tiveram grande valimento na parte final do reinado de D. Afonso V e no tempo de D. João II.

Fonte :O Portal da História
  • Março.29-Nomeação do filho primogénito do regente D. Pedro, D. Pedro já Condestável do Reino, para o mestrado de Avis.
  • Maio,23-O infante D. Fernando, jovem irmão do rei, é nomeado pelo regente D. Pedro mestre da Ordem de Santiago (que do infante D. João passara a seu filho D. Diogo).

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Acontecimento no ano de 1443(II)

  • Junho,03-Falecimento de D.Fernando, o Infante Santo em Fez.
Os últimos 15 meses que viveu, passou-os encerrado numa escura casa contígua à latrina do alcançar, sem ter com quem falasse nem a quem se pudesse queixar.

Sendo conhecida a sua morte, Lazaraque mandou embalsamar o corpo, e para maior desprezo e afronta para com o infeliz prisioneiro, o fez pendurar nu das ameias da muralha junto duma porta da cidade, atado pelas pernas com a cabeça para baixo, ali se celebraram jogos e festas em sinal de triunfo.

Passados 4 dias foi metido num ataúde de madeira, e pendurado por cadeias sobre a mesma muralha, onde esteve muitos anos, até que no tempo de D. Afonso V, seu sobrinho, foi trazido a este. reino, não concordando os cronistas no ano, nem a forma como veio transportado.

Esteve depositado em Lisboa no convento do Salvador, e dali se transferiu para o convento da Batalha com grande pompa, sendo acompanhado pelos prelados e grandes do reino, ficando na capela de D. João, seu pai, num túmulo de pedra, levantado como o do seus irmãos.

Tem um altar particular onde se celebrava missa todos os dias. No retábulo está retratada a sua imagem com os grilhões, e nos vários sucessos de seus trabalhos. 0 infante D. Henrique também o mandou pintar no seu altar pela muita devoção que lhe consagrava. Sobre o seu túmulo está a sua estátua, em pedra.

  • Outubro,22-Concessão ao Infante D.Henrique do monopólio da navegação das terras para além do Bojador.
Carta régia do regente D.Pedro, em nome de D.Afonso V, concedendo ao infante D.Henrique o monopólio da navegação, guerra e comércio das terras para além do cabo do Bojador, bem como a vila de Gouveia e o cabo de S.Vicente e uma légua em seu redor.

sábado, 23 de Maio de 2009

Acontecimento no ano de 1442(II)

  • Eugénio IV-Bula Etsis suscepti concedendo indulgência plenária a todos os que defenderam Ceuta ou participaram na expedições contra os sarracenos
Confirmando as doações de D. Duarte e D. Afonso V, ao Infante D. Henrique e à Ordem de Cristo, da jurisdição espiritual, permitindo ao Infante conservar o poder temporal em seu ducado de Viseu.

Missão expansionista com direito de reter, administrar e legar terras e ilhas do mar Oceano. O reconhecimento pela Santa Sé acompanhava do dever de propiciar o povoamento e aexploração da Madeira, Açores e Cabo Verde (seriam os modelos de colonização do Brasil)

  • 4 de Maio-Estabelecimento de feira anual na vila de Pombal (senhorio de D.Henrique)
Em 4 de Maio de 1442 D.Afonso V deu poder e lugar ao tio, Infante D.Henrique, para mandar fazer na sua vila de Pombal feira franqueada, anual, de 23 de Junho a 8 de Julho, com isenção de meia sisa.

Actualmente a feira anual tem lugar durante as festas do Bodo, em Julho. A feira anual de Abiúl realiza-se no primeiro sábado de Agosto e em Vermoil, Bodo das Castanhas, no último domingo de Outubro.
  • D.Pedro doa a D.Afonso conde de Barcelos a vila de Bragança com o titulo de duque
Graças ao empenho e à diplomacia de D. João Afonso nas negociações do tratado de Alcanises, D. Dinis constituiu-o "conde donatário vitalício da vila de Barcelos". Decorria o ano de 1298, e aquela era a primeira vez que, em Portugal, se atribuía o título de conde com carácter vitalício e funções públicas.

Nascia então em Barcelos o primeiro condado português, depois de se ter tornado vila régia pelas mãos de D. Afonso Henriques e do seu primeiro foral.

Em 1442, D. Afonso - o 8.º conde de Barcelos - por doação de D. Pedro, viu acrescentar-lhe ao título de Conde de Barcelos, o de primeiro Duque de Bragança, aumentando assim os privilégios da vila barcelense.

terça-feira, 5 de Maio de 2009

Acontecimentos no ano de 1441(II)

  • Início da utilização da caravela nas empresas ultramarinas
A construção da primeira caravela em Lagos, por iniciativa de D.Henrique, o Navegador, um novo tipo de barco que usa a vela dos Árabes.

Segundo alguns historiadores, o vocábulo é de origem árabe carib (embarcação de porte médio e de velas triangulares — velame latino). De acordo com outros, no entanto, a palavra seria derivada de carvalho, a madeira usada para construir as embarcações.

A caravela é um navio rápido, de fácil manobra, apto para a bolina, de proporções modestas e que, em caso de necessidade, podia ser movido a remos. Eram navios de pequeno porte, de três mastros, um único convés e ponte sobrelevada na popa; deslocavam 50 toneladas.

  • Abril-D.Fernando de Castro governador da casa do Infante D.Henrique vê malograr-se a hipótese de resgatar o infante D.Fernando, preso em poder dos mouros.
  • Maio-Cortes de Torres Vedras aprovando o matrimónio de D.Afonso V com a sua prima direita D.Isabel, filha do regente D.Pedro
Desde Dezembro de 1440 que o regente D.Pedro havia recebido a notícia que o papa Eugénio IV havia de viva voz e não por bula escrita, atendendo por certo à muita pressão que a casa de Aragão fazia em sentido contrário à autorização de dispensa do parentesco de sanguíneo, entre D.Afonso V e sua prima.
  • Dezembro,17-Chefiando um exército de 12.000 homens D.Pedro saí de Avis para assumir a direcção do cerco ao castelo do Crato.
A ideia era forçar D.Leonor a exilar-se nas suas terras, à qual faltaram os apoios previstos do conde de Barcelos e de outros fidalgos que se supunha fiel , mas que na hora recusaram participar na guerra ao lado dela.
  • Dezembro,29-D. Leonor de Aragão retira-se do Crato onde se recolhera com o apoio do mestre da ordem do Hospital, fugindo para Castela.
Sozinha, sem apoios e com medo de ser presa e humilhada, D.Leonor abandona o Crato e dirigindo-se para Albuquerque em Castela. Acompanham-na o prior do Hospital eos senhores de Cascais entre outros. Em Albuquerque já estavam outros exilados como o arcebispo de Lisboa D.Pedro de Noronha. Era intenção de D. Leonor voltar a entrar em Portugal.


sexta-feira, 3 de Abril de 2009

O casamento do príncipe herdeiro

O casamento do príncipe herdeiro D.João, com sus prima D.Leonor, estava desde 1466 concertado pelos dois irmãos o rei D.Afonso e D.Fernando duque de Viseu, muito embora os noivos contassem ela 8 anos e ele 11.

A morte de D.Fernando em 1470, teria permitido a D.Afonso alterar a opção matrimonial negociada, mas não o fez porque tal como ele já havia afirmado anteriormente, fizera voto de entregar o poder a seu filho, logo que este atingisse capacidade de governação, sendo o casamento uma forma de promover a estabilidade da coroa e desde logo assegurar a respectiva sucessão. Por esse motivo D.Afonso entendeu continuar as negociações do casamento com sua cunhada D.Beatriz.

O casamento só aconteceu em 1471 depois de obtida de Roma a necessária dispensa por impedimento de parentesco, em Setúbal em 22 de Janeiro, muito embora ainda por razões de idade, o respectivo contrato de compromisso só tenha sido rubricado em Lisboa a 16 de Setembro de 1473, após a sua consumação.

Este contrato estipulava que D.Leonor receberia de herança paterna a título de dote, o castelo de Lagos, e uma série de benesses em ouro jóias e rendas. Pela parte do rei os lugares de Sintra, Torres Vedras e Óbidos e igualmente várias rendas, bem como se estipulavam verbas a receber caso ficasse viúva. Enfim como se v~e um contrato de casamento minucioso e realmente muito benéfico para a jovem futura Rainha.

Quanto ao jovem príncipe , continuava a tendência para a entrega do poder, que como atrás disse o rei há muito preconizava, pois desde 1471, quando da tomada de Arzila que aqui referi, lhe tinha entregue a governação das "coisas de África", entregando-lhe também as rendas da Alfandega de Lisboa e dos tratos e rendas da Guiné.

Como disse apenas com 17 anos, já D.João mergulhava a fundo nos meandros da política ultramarina.


quarta-feira, 18 de Março de 2009

A princesa Joana recolhe ao convento de Aveiro



O regresso triunfal de África, foram motivo de grandes festejos em todo o reino daquele que passou a usar o título de Rei de Portugal e dos Algarves dáquem e de além-mar em África. Procissões e festejos especialmente em Lisboa, como havia muito não acontecia há muitos anos.

Para toldar a felicidade do rei e do príncipe D.João, veio a notícia de que a infanta D.Joana, queria entrar para um convento, ao serviço exclusivo de Deus. Contava só 19 anos, era linda e adorada por todos o que fazia adivinhar, um futuro casamento real pomposo, mas que esta sua decisão anularia.

Muitas vezes havia formulado essa sua vontade ao pai, que sempre lhe negara autorização, pensando por certo que essa sua inclinação acabaria por passar. Tal não aconteceu, embora regente do Reino, enquanto seu pai e seu irmão combatiam por África, o certo é que logo que eles chegaram, aproveitou a ocasião para renovar o seu pedido, com o argumento extra que o fazia para agradecer a Deus a generosidade de os ter feito triunfadores e chegados salvos a casa.

O Conselho régio, aprovou a pretensão da infanta, pelo que ao rei não restou outra hipótese que não a de aceitar a decisão da filha muito embora tenha conseguido que o Conselho apenas considerasse a decisão como temporária, pelo que acabou D.Afonso V, por determinar que infanta pudesse passar algum tempo em retiro, junto de sua tia D.Filipa, no convento de Odivelas, sem contudo vestir o véu de freira.

As cortes de Lisboa, que se reuniram em 1472, vieram demonstrar que o povo, encarava com muito mais apreensão esta entrada da infanta na vida religiosa, que tomavam como definitiva e que colocava claramente, face a um eventual desastre a sucessão dinástica em perigo.

As explicações dadas aos delegados do povo, não colheram, chegando a ameaçar intervir junto do papa, contra o mosteiro, casa a infanta viesse a professar.

A infanta também não se agradava de Odivelas apenas aceitara esta opção, porque na altura lhe parecera melhor que nada, mas o seu objectivo era retirar-se para um pequeno convento em Aveiro, para viver suficientemente afastada da corte.

Foi então transferida para o convento de Santa Clara em Coimbra, já mais perto do seu objectivo. Uma coisa é certa a jovem infanta demonstrava, possuir além duma grande beleza, notável espírito negociador e diplomático, porque no percurso para Coimbra soube sugerir ao pai, uma pequena e rápida visita ao mosteiro para onde ele queria ir, era só um pequenino desvio, ao que o rei acabou por aceder.

Chegado a 4 de Agosto de 1472, ao tal conventinho, onde iria passar um pequeno retiro, nenhuma força, nenhuma argumento a fizeram mudar de ideias, de lá não continuar. Adoeceu por força dos jejuns e dos princípios que impôs a si própria. Gravemente enferma salvou-se a muito custo e provavelmente por pressão da coroa, as entidades religiosas acabaram por considerar que D.Joana, não poderia professar, por não poder suportar as severas regras do convento.

Consternada despiu o hábito, mas apenas simbolicamente, porque a prioresa do convento determinou que ela o poderia usar como irmã honorária, passando a viver como freira, sem o ser.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

A tomada de Arzila



Sempre com o pensamento em África, pensou D.Afonso V numa nova aventura ultramarina desta feita contra Tânger, que contudo o Conselho avisadamente sugeriu que o ataque se fizesse peimeiro à praça de Arzila, por forma a enfraquecer as defesas que em forma de apoio essa praça não deixaria de prestar a Tanger.

Lá foram mandados os habituais espiões, desta vez Pero de Alcaçovas e Vicente Simões, disfarçados de mercadores para estudar a maneira de conquistar a praça.

Como habitualmente organizou-se a esquadra em 3 locais diferentes, Lisboa, Porto e Lagos, tendo posteriormente se reunindo em Lisboaas duas primeiras, navegando depois para Lagos.

A força reunida era significativa, mas com números diferentes entre os cronistas, podendo contudo estimar-se em cerca de 400 velas e 27 ou 28.000 homens, entre os quais, imprudentemente se encontrava o príncipe herdeiro,que caso acontecesse algum precalço, poderiam ficar por lá ,o rei e o príncipe herdeiro.


Partiram de Lagos a 18 de Agosto de 1471 chegando ao largo de Arzila, 3 dias depois já ao entardecer.

Pretendia-se não demorar em demasia o ataque , para que os mouros não tivessem oportunidade de se precaver, pelo que o Conselho decidiu iniciar o ataque logo pelo amanhecer do dia seguinte.


Algumas dificuldades no eventual desembarque, complicaram a entrada dos navios no porto interior, que só pode ser feito com recurso a embarcações ligeiras, gerando-se tal confusão, que chegaram inclusivamente algumas barcaças a despedaçar-se contra os recifes, morrendo inutilmente alguns combatentes.

Mesmo com essas baixas e deficiente armamento, porque as referidas condições de desembarque não tinham deixado que se trouxessem as bombardas maiores para terra o certo é que alguns dias depois a 24 de Agosto, as forças de D.Afonso V, tomaram a praça de Arzila, com inusitada violência, não acolhendo sequer aos pedidos de rendição que foram enviados.


Na violência da refrega dizem ganhou o jovem príncipe D.João, apenas com 16 anos as suas esporas de cavaleiro, mas igualmente morreram muitos fidalgos e cavaleiros portugueses.

No dia seguinte, foi a consagração da mesquita, transformando-a na igreja de Nossa Senhora da Assunção comemorando a data da saída de Lisboa.


A generosidade do rei, fez-se sentir nas comendas e títulos que destribuíu, não deixando de atribuir a D.Henrique de Menezes, conde de Valença e governador de Alcácer-Ceguer, igualmente a capitania da vila recém conquistada.

Foram igualmente feitas cativas mais de 5 mil pessoas entre as quais as duas mulheres e filhos de Mulei Xeque senhor de Arzila, mas que nessa altura ali não estava, porque havia partido para Fez em luta contra o xerife seu inimigo.

Naturalmente este também foi um factor que contribuiu para o êxito da missão .


A tomada de Arzila teve entre os mouros dolorosa repercussão, como se verá mais tarde.

quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

A tomada de Anafé e a morte do infante D.Fernando

O irmão do rei D.Fernando, duque de Beja e de Viseu, pai do futuro rei D.Manuel que nascera nesse ano era sem dúvida o principal fidalgo do Reino. Senhor de Moura, Serpa, Covilhã e Lagos entre muitos outros territórios, senhor dos arquipélagos de Cabo Verde, Madeira e Açores e governador das ordens militares de Santiago e de Avis. Era realmente um dos poderosos da península, mas faltava-lhe um grande feito militar. Solicitou então a seu irmão a permissão para passar a África.

Nos início de 1469 o rei autoriza e cede-lhe igualmente alguma da sua força militar.

Anafé foi a praça escolhida para o ataque.Para além da riqueza agrícola, também era uma importante base para a pirataria que dali saía para atacar as galés portuguesas que navegavam, principalmente no estreito de Gibraltar.

Anafé, a actual Casablanca, acabou por ser presa fácil, para as forças do infante D.Fernando atendendo a que o ataque, não foi feito de qualquer maneira, tendo sido preparado previamente incluindo uma viagem de espionagem, feita pelo fidalgo Estevão da Gama, que ali se havia deslocado disfarçado de mercador de figo, para trazer indicações sobre o local.

Se fácil foi a conquista desde logo se percebeu quão difícil seria a sua manutenção, que exigia recursos humanos e militares avultados, que garantissem defesa contra futuros ataques.

Consciente dessa impossibilidade, optou o infante por pilhar o que fosse possível e destruír o mais possível as muralhas e a própria cidade, após o que regressou a Portugal.

Regressado ao reino, o infante, adoece gravemente e acaba por vir a falecer em Setúbal em 18 de Setembro de 1470, apenas com 37 anos, não sem antes ter negociado o casamento de sua filha D.Leonor de Lencastre com o príncipe herdeiro D.João.

D.Fernando foi sepultado no convento de São Francisco em Setúbal, de onde alguns anos mais tarde transladado para o Mosteiro de Nossa senhora da Conceição em Beja, que por ele e sua mulher havia sido edificado.

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

A importância dos privilégios aos habitantes da ilha de Santiago

A questão do povoamento das ilhas Atlânticas, perante a aridez do clima, dos solos e da própria paisagem, a dificuldade de aceder ao litoral das ilhas, para já não falar da distância que separava o reino e a inexistência de riquezas naturais nestas ilhas Atlânticas, fizeram que poucos os europeus se disponibilizassem para as povoar.

Mesmo assim ainda houve alguns algarvios, que valendo-se da facilidade de saída para o Atlântico

Se estes brancos iam, embora com algum receio, de livre vontade, o mesmo já não se passava com os escravos. De facto, no início da colonização de Cabo Verde, a grande maioria da população que aí podíamos encontrar era constituída por escravos da Costa da Guiné.

Estes eram trazidos para Cabo Verde de forma a iniciarem o arroteamento das terras, bem como para serem disponibilizados para outros trabalhos, uma vez que já estavam adaptados ao clima.


O que se verificava, em relação aos brancos, era que só perante a concessão de muitas liberdades e regalias, alguns partiam em direcção às ilhas recém-descobertas.

Precisamente neste sentido o rei D. Afonso V concedeu aos habitantes da ilha de Santiago o exclusivo de participação no comércio da Costa da Guiné, à excepção da fortaleza de Arguim.

Esta foi a solução encontrada para que o povoamento pudesse prosseguir por estas paragens.

Concedeu todos estes privilégios através da Carta Régia de 12 de Junho de 1466. Esta carta de 1466 implicava um aumento de poderes por parte da coroa em detrimento das prerrogativas concedidas ao donatário da ilha de Santiago, que era D. Fernando.

A partir desta altura começam-se a encontrar alguns atractivos para a fixação nestas ilhas. Os privilégios concedidos pelo poder régio, em 1466, foram extraordinariamente importantes mas a estes vieram-se-lhe juntar outros factores que proporcionaram um mais rápido povoamento do arquipélago.

A partir desta altura os portugueses, uma vez que continuavam a sua caminhada pela costa ocidental africana necessitavam de um ponto de paragem e de estadia para comerciarem com os povos africanos, uma vez que a instalação nos Rios da Guiné era impossível quer pelas condições sanitárias e clima, quer pelas constantes ofensivas desencadeadas pelos povos indígenas destas zonas.

Além disso esta localização próxima da costa de África significava uma poupança de tempo muito grande, que era extremamente importante, principalmente quando falamos do comércio de cavalos e escravos. Daí que uma boa parte da população que passa a viver em Cabo Verde sejam mercadores, que estavam a retirar grandes lucros com esta situação.

Isto quer dizer que a privilegiada posição geográfica do arquipélago foi, sem dúvida, um dos mais importantes factores de colonização.

Mesmo assim, algumas ilhas permaneceram desabitadas e outras com um povoamento muito disperso, o que facilmente se compreende já que o povoamento que se vinha a desenvolver era essencialmente mercantil e logo muito limitado às zonas litorais mais próximas do continente africano e com melhores condições portuárias, sendo muitas vezes apenas temporário.

Créditos: Retirado daqui , um trabalho de Patrícia Isabel Rodrigues Gonçalves Pereira

domingo, 25 de Janeiro de 2009

Cortes na Guarda (1465)

Para além da eventual questão sentimental, que poderia levar D.Afonso V a não aceitar a proposta de Henrique IV, para o casamento com a sua irmã, mas a perspectiva era boa demais para ser recusada.

Por essa altura nos nossos reinos vizinhos, era a grande a confusão, resultante da sucessão às coroas de Navarra e Aragão e ás atitudes dissolutas dos reis de Castela. A nomeação de D.Beltran como duque de Albuquerque, foi mais um episódio , que motivou uma revolta iniciada em Ávila, que alastrou às cidades de Burgos, Toledo, Córdova e Sevilha.

D;Joana a rainha de Castela, irmã de D.Afonso VI, assustada refugiou-se em Portugal, em busca de auxílio de seu irmão, que a foi buscar à cidade da Guarda.

D.Afonso quis logo entrar no conflito, para sair em defesa da honra de sua irmão, era assim a característica do seu feito, impetuoso e cavalheiresco e não fora a proibição das Cortes reunidas, então por certo teria acontecido uma guerra com Castela.

Mais um volte face a política de Castela, porque Henrique IV, acaba por se reconciliar com os que contestavam a sua legitimidade como rei e acaba por negociar com um dos conspiradores Pedro de Giron, mestre de Calatrava de novo a mão de sua irmã Isabel, que já se percebia nesta altura ser a moeda de troca favorita, do rei de Castela, anulando assim o compromisso assinado com o rei de Portugal.

quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

As hipóteses vantajosas de aliança com Castela(1464)

Recuando um pouco no tempo, em 1455 a irmã de D.Afonso V casou com Henrique IV de Castela. Casamento em segundas núpcias, já que a sua primeira mulher Branca de Navarra, filha do rei João, tinha sido por ele repudiada, com o fundamento que ela era estéril. A repudiada respondeu com a acusação que incapacidade genésica.

As opiniões dividiam-se, uns alegando, que o rei Henrique tivera vários casos de mancebia, como por exemplo com Catalina de Sandoval, uma freira, mas que ele viria a acusar de infidelidade ao ponto de ter mandado degolar rival.


Para outros historiadores, essa atitude não passava de disfarce, para encobrir a sua incapacidade, ser dissoluto e de ter relações homossexuais.


O ambiente na corte, mesmo depois do casamento com D.Joana, era de verdadeiro pandemónio, a que não eram alheias o escandaloso porte tanto da bela jovem soberana como das suas açafatas.

As acusações de impotência do rei e a vida dissoluta da rainha, não deixaram de criar só por si alguma
confusão na corte, quando a rainha Joana, deu à luz uma menina, ao fim de sete anos de casada.

Na altura atribuí-se a paternidade da criança, a um jovem fidalgo muito íntimo do casal real, de seu nome D.Beltran de la Cueva. desde logo a jovem menina a quem foi dado o nome de Joana, como sua mãe, passou a ser tratada entre dentes, como a Beltraneja, que lhe ficou para o resto da vida, para mais porque à medida que ia crescendo, mais se acentuavam as semelhanças com D.Beltran, nomeado conde de Landesma, mais tarde duque de Albuquerque e mestre de Santiago.


O rei Henrique, desta vez não optou por mandar cortar a cabeça do rival como no caso com Catalina de Sandoval, mas bem pelo contrário, cobri-lo de honrarias.

Toda esta situação, veio a culminar, num conflito armado entre os outros reinos da Península, que não cabe no âmbito deste blogue abordar, pelo menos por agora.
O certo porém é que esse conflito, veio justificar a necessidade de Henrique de Castela, procurar aliados.

Por forma a interessar D.Afonso V, na sua causa, oferece-lhe a mão de sua irmã Isabel, futuramente conhecida como a Católica, num encontro que viria a acontecer em Gibraltar, em Janeiro de 1464.


Informações da época, não faziam crer, que D.Afonso V,pensasse em voltar a casar, depois de enviuvar ele amava profundamente a sua mulher, mas as razões de estado que poderia supor vantajosa, uma aliança entre as coroas de Portugal e Castela, levaram-no a considerar possível esse casamento, tanto mais que Castela alargara a oferta e para além da mão de sua irmã ao rei de Portugal, também incluía o convite para o futuro casamento entre o herdeiro português D.João e sua pequena "filha" a Beltraneja, já nessa altura reconhecida, em cortes efectuadas em Madrid, como herdeira do trono de Castela, com o título de Princesa das Asturias.

Era uma oferta demasiado tentadora

domingo, 4 de Janeiro de 2009

A tentativa falhada de conquista de Tânger

Uma complicada teia de acontecimentos, em que se envolveram dois jovens fidalgos Diogo de Barros e João Falcão, que chegaram a tentar alistar-se no exército do rei de Fez, que operava em África, sob a orientação do duque de Medina Sidónia, mas só depois de incorporados nas forças de Alcácer Ceguer, participando em nalgumas razias sob o comando do governador D.Duarte de Menezes, conseguiram recolher informações sobre a forma de entrar na praça de Tânger.

A missão de espionagem correu muito bem, pelo menos assim o considerou D.Afonso V, logo que os referidos fidalgos lhe comunicaram o que haviam recolhido, de tal forma que Tânger passou ser o alvo secreto a atingir em África.Muito embora estas informações recolhidas, viesse a não servir de muito, atendendo ao modo como os acontecimentos subsequentes vieram a decorrer

A 7 de Novembro de 1463, D.Afonso V e o seu irmão Fernando, partiram de Lisboa, com a armada formada, com o apoio financeiro de Martim Leme um rico mercador flamengo.

A pressa do rei era enorme, de tal forma que nem aceitou as recomendações que lhe fizeram de se acolher junto a Silves, por se preverem más condições atmosféricas, o que efectivamente aconteceu, vindo a perder-se bastante carga, um navio e uma caravela, perecendo algumas pessoas que a tripulavam.


Chegaram a Ceuta a 12 de Novembro, partindo de seguida para Alcácer Ceguer, mas dividindo forças entre forças terrestres a navais, mas a precipitação, quer dos preparativos, quer os incidentes resultantes do pouco cuidado na viagem, fizeram claramente abortar a missão, regressando a missão a Ceuta.

sábado, 25 de Outubro de 2008

A governação da Ordem de Cristo

A morte do Infante D.Henrique em 1460, trouxe a necessidade da sua substituição no governo da Ordem de Cristo que fora criada pela Bula Ad ea ex-quibus do Papa João XXII, acedendo aos pedidos do rei D. Diniz , para suceder à extinta Ordem do Templo e que recebeu o nome de Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Infante era seu grão-senhor desde 1454 por efeitos da bula de Nicolau V, e a herança do governo desta ordem foi concedida pelo papa Pio II, pela bula Dum Tua ao rei D.Afonso V, mas que viria em Julho a emitir nova bula de nomeação em favor de D.Fernando, duque de Viseu, irmão do Rei, por desistência de D.Afonso V à liderança da Ordem de Cristo.

Diga-se que era a Ordem de Cristo que controlava o conhecimento das rotas e o acesso às tecnologias de navegação, pelo que o governo desta Ordem, era considerado o mais rentável e fonte de poder, não admirando que no caso de D.Fernando, se tivesse dado continuidade, também a essa linha, pois D.Fernando já era o herdeiro nomeado do poderoso Infante D.Henrique, seu tio.

D.Fernando também neste ano de 1461, havia trasladado para o convento da Batalha o corpo de seu tio que tinha sido primeiramente depositado na igreja de Lagos.

Sobre o túmulo vê-se a sua estátua de pedra, que em relevo o representa ao natural, vestido de armas brancas. e coroado de coroa real entretecida de folhas de carvalho, e uma rosa no meio; tem nela três escudos: o primeiro com as armas do reino de Portugal e as suas, e nos outros dois as insígnias das duas ordens que professara, de Cristo e da Jarreteira

terça-feira, 14 de Outubro de 2008

O achamento de Cabo Verde(1460-61)

Foi em 1460 que Diogo Gomes e António da Nola, ao voltarem duma viagem de exploração à costa da Guiné, aportaram à ilha de Santiago.

Na continuação dessa viagem de regresso descobriram também as ilhas Maio, Fogo, Sal e Boavista.

Em 1461 e 1462 Diogo Afonso chegou às ilhas de Santo Antão, São Nicolau, São Vicente, Brava e Santa Luzia.

Estava descoberto o arquipélago de Cabo Verde, deserto, mas cedo povoado por colonos portugueses.

******
O arquipélago de Cabo Verde é formado por dez ilhas e cinco ilhéus As ilhas de Barlavento: Santo Antão (779 km), São Vicente (227 km), Santa Luzia (35 km) , São Nicolau (343 km), Sal (216 km) e Boavista (620 km), e os ilhéus Branco (3 km) e Raso (7 km). As ilhas de Sotavento: Maio (269 km), Santiago (991 km), Fogo (476 km) e Brava (64 km), e os ilhéus Grande (2 km), Luís Carneiro (0,22 km) e Cima (1,15 km).

*******
*Morte de Domenico Veneziano

Morte em Florença, foi um pintor italiano do começo do Renascimento, que trabalhou principalmente em Perúsia e na Toscana. Influenciou Andrea Mantegna e foi o professor de Piero della Francesca.

seu trabalho caracterizava-se pelo uso da perspectiva e da cor.

Sua obra-prima é Madonna e o Menino com Santos



terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Morte do Infante D.Henrique

No regresso da África, D.Afonso V, intitula-se "Dom Afonso, por graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve, Senhor de Ceuta e de Alcácer em África", reflectindo o seu enorme sonho de conquista em Marrocos.

Ao mesmo tempo começa a partir dessa altura a observar-se em crescendo, excessos da nobreza que só foram possíveis devido às omissões do poder central e aos abusos cometidos por parte da fidalguia que provocaram enormes conflitos entre os povos e os procuradores dos concelhos.

Deve também dizer-se que as consequências de Alfarrobeira, havia acentuado esta tendência, para a compensação aos adeptos da causa de sua mãe, não deixando contudo de vir mais tarde a perdoar aos seguidores de D.Pedro.

Irreflectidamente pródigo D.Afonso V, contrariava o espírito da revolução burguesa de 1383, ao aclamar rei seu avô, o Mestre de Avis, que foi marcada pela participação de linhagens de segunda ordem ao lado do Mestre de Avis

As preferência pessoais em relação à família Bragança, incluía outra linhagem, os Vasconcelos. Esta família,na pessoa de D. Afonso de Cascais, foi perseguida pelo regente D. Pedro devido à sua fidelidade à rainha D. Leonor, mãe do rei, durante o breve período em que esta ocupou o poder. Após este apoio, os Vasconcelos em sua maioria, foram obrigados a viver exilados.

A partir de 1450, a sua posição de destaque, com Afonso Vasconcelos de Cascais, futuro Conde de Penela, uma das mais importantes fortunas nobiliárquicas da segunda metade do século XV.

O fortalecimento das casas senhoriais em detrimento do poder da coroa, foi um dos aspectos mais marcantes deste reinado.

Para contribuir para a alteração da composição nobiliárquica, o ano de 1460 iria conhecer uma série de acontecimentos funestos, que iriam abalar a corte portuguesa. Ás mortes do marquês de Valença e do conde de Ourém, juntar-se-ia a do Infante D.Henrique em Sagres no dia 13 de Novembro e poucos dias depois o velho duque de Bragança, cabecilha na oposição ao regente D.Pedro, seu meio-irmão. Se por um lado, D.Afonso V, perdeu a cerceadora influência política política, também perderia os seus conselhos.

Eram estes dois últimos personagens os homens mais ricos e influentes em Portugal, nesta época. Quanto a D.Henrique passou o seu filho adoptivo D.Fernando (pai do futuro rei D.Manuel) a deter o maior senhorio de Portugal.

Mesmo sem levar em linha de conta que da sua havia abdicado pouco antes da sua morte das ilhas cabo verdianas de S.Luís, S.Dinis, S.Jorge, S.Tomás e Santa Joana ao rei D.Afonso e as de Santa Maria e de S.Miguel nos Açores à Ordem de Cristo.

sábado, 19 de Julho de 2008

Ataques a Alcácer-Ceguer repelidos

A retaliação moura pela perca de Alcácer Ceguer não se fez esperar. Estava ainda D.Afonso V em Ceuta, quando foi avisado que o rei de Fez Abde Alaque, se preparava para retomar aquela praça
.
Relembre-se que este rei era ainda o mesmo, que tinha tomado como cativo o infante D.Fernando, para se perceber a carga emotiva que comportava, de tal forma que D.Afonso ainda em Ceuta, quis de imediato, acorrer ao reforço de Alcácer-Ceguer, não fosse o conselho militar lhe demonstrar a inconveniência de tal acto.

A forma medieval e poética que se encontrou na defesa da honra portuguesa, foi a de mandar desafiar o rei de Fez, à boa maneira medieval, para uma batalha campal, resposta que esse desafio não teve porque os emissários fora recebido a tiro e tiveram que retroceder.

A esqudra portuguesa aportou ao largo de Alcácer-Ceguer, mas de nada serviu, pois os mouros que sitiavam as muralhas não se amedrontaram, nem aos sitiados foi possível fazer chegar qualquer tipo de ajuda.

A esquadra teve que regressar a Portugal e o que é certo é que, a defesa militar da praça sob o comando de D.Duarte de Menezes, resistiu durante 53 dias e causando tantas perdas ao inimigo que acabaram estes por retirar.

As reparações nas muralhas e a construção duma couraça que permitirá, em ataques futuros uma ligação ao mar, viria a permitir que novo ataque desferido 6 meses depois em 2 de Julho de 1459, voltasse a não ter êxito favorável ao rei mouro, permitindo até que por essa mesma couraça, viessem a escapulir-se a esposa do governador e outras donzelas do seu séquito.

A comandante de Alcácer-Seguer haveria D.Afonso V em Abril de 1460, quando numa visita a Portugal de o premiar elevando-o a conde de Viana.



sábado, 5 de Julho de 2008

A conquista de Alcácer Ceguer

A poderosa armada então reunida, composta por cerca de 280 naus, galés e outros navios, pelos cálculos de Damião de Góis, bem como cerca de 26.000 homens de combate, para além da tripulação e os serviçais.

A armada partiu de Lagos a 17 de Outubro de 1458, lançando ferro dois dias depois diante de Tânger, terra de dolorosas recordações para os portugueses, que ali haviam deixado como refém o infante D.Fernando que morrera em cativeiro.

A tentação de atacar essa praça foi forte na cabeça de D.Afonso V que chefiava a armada, no sentido de vingar a memória de seu tio, mas o conselho militar desaconselhou esse intento e a alteração de planos.

A aceitação dessa opinião do conselho fazia lei na épova superior à vontade do soberano. Muito embora nada o impedisse de a não respeitar, a tanto se não abalançou o rei, por corresponder ao assumir por seu único risco o ónus do eventual desastre, que não deixaria de ser criticado em cortes futuras.

Levantando ferro para dar cumprimento ao plano estabelecido, foi a armada fundear a 21 de Outubro defronte de Alcácer Ceguer.

As primeiras escaramuças foram naturalmente na praia, ao desembarque dos primeiros portugueses, mas com tal ímpeto se deu o ataque que aos mouros nada mais restou que se refugiarem dentro de muralhas.

Os combates demoraram 2 dias, até que o derrube das muralhas por bombardas, conseguira demonstrar que a sorte do ataque seria favorável aos portuguese, pelo que os sitiados temendo serem chacinados, propuseram a rendição na condição de permitirem a saída dos moradores com seus haveres.

Obtido o consentimento, com a condição de entregarem todos os reféns e todos os cativos cristãos que na vila houvesse. Saído o último habitante então se organizou uma procissão, com D.Afonso apeado para tomar posse da praça, até à mesquita que fez consagrar e dedicar a Santa Maria da Misericórdia.

Grandes festejos e distribuição de mercês se seguiram, tendo sido nomeado D.Duarte de Menezes capitão da praça conquistada. Após as respectivas reparações e reforço de guarnição, retira a esquadra com destino a Ceuta.

Era a primeira vez que o Africano, visitava Ceuta, ao chegar lá e ao comparar a grandeza e o esplendor desta cidade, com a pequenez e a pobreza de Álcacer Ceguer, cuja conquista tanto o satisfizera, não deixava agora de experimentar alguma decepção.

Outros acontecimentos fora de Portugal
  • Pio II-Papa 211º- Enea Silvio Piccolomini, nascido em Pienza
Sucedeu a Calisto III. Era um homem culto e amante de artes, escreveu vários livros, só por volta dos 40 anos é que resolveu abraçar a carreira eclesiástica, por sinal rápida mas muito brilhante. Foi Bispo de Trieste (1447), de Siena (1450), cardeal (1456) e, finalmente eleito papa em 19 de agosto (1458),

Tentou organizar uma nova cruzada contra os turcos muçulmanos, mas fracassou em sua tentativa de convencer os príncipes cristãos a se envolver em tal empresa. Mesmo assim decidiu agir por conta própria e proclamou a guerra santa (1463).

terça-feira, 3 de Junho de 2008

Acontecimentos no ano de 1457

*-Os preparativos para a conquista de Alcácer Ceguer

O abandono da ideia de enviar cerca de 12000 homens ao Oriente para ressarcir o mundo cristão da perda de Constantinopla, por um lado face ao desinteresse manifestado por outras coroas europeia, teve algumas repercussões na corte portuguesa.

A discussão nos conselheiros do rei foi intensa, entre os defensores da continuação da tese da cruzada a Constantinopla, como o influente conde de Ourém já então marquês de Valença, e outros nobres como o infante D.Henrique que defendiam a tese da transferencia de recursos para o norte de África, centralizado primordialmente na defesa de Ceuta, constantemente atacada.

Decidiu-se então anviar ao Norte de África um exército de vinte e cinco mil homens, com o objectivo militar da conquista de Alcácer-Ceguer, no estreito de Gibraltar.

Desta vez, para que não acontecesse o mesmo que anos antes quando da conquista de Ceuta, guardou-se segredo deste intento, para apanhar os muçulmanos desprevenidos.

Constituiu-se a armada em três pontos diferentes do País, no Porto, em Lisboa e em Lagos, cada um dos pontos sob a direcção de 3 responsáveis, sendo D.Afonso V pessoalmente responsável pela constituição da armada de Lisboa. Porém e devido a uma peste ocorrida em Lisboa (habitual atendendo às péssimas condições de higiene, acabou por ser transferida para Setúbal.

segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Acontecimentos no ano de 1456

*-Diogo Gomes chega ás ilhas Bijagós

Diogo Gomes era moço da câmara do infante D. Henrique e foi também seu navegador. Para além de uma viagem à Madeira, terá participado, com Gil Eanes e Lançarote, na expedição militar à ilha de Tider.

Diogo Gomes navegou em 1456 até à embocadura do rio Grande, canal do Geba, capitaneando uma esquadra de três navios.

No regresso subiu o rio Gâmbia até Cantor, onde obteve as primeiras informações sobre as explorações mineiras no Senegal e Alto Níger, bem como acerca das rotas saharianas do ouro e do importante entreposto comercial que era Tombuctu..

Durante esta expedição, Diogo Gomes capitaneava uma esquadra de três navios. Possivelmente no regresso desta exploração tocou o arquipélago de Cabo Verde, cujo descobrimento reclama para si, na companhia do italiano António de Noli.

*-Bula papal de Calisto III sobre Ceuta

Bula papal concedendo a D.Afonso V o estabelecimento na cidade de Ceuta de 4 conventos, correspondendo a igual número de ordens militares existentes no reino.

O Papa nº 210 Calisto III, nascido Afonso de Bórgia, nomeado papa em Abril do ano anterior, fi o papa que reviu a sua condenação de Joana D’arc e reconheceu sua inocência em 1456, foi o fundador da "dinastia papal" da família.

*-A nova cruzada pregada por Calisto III

O papa Calisto III intentou organizar uma cruzada para reaver Constantinopla que havia caído às mãos dos turcos em 1453. Pretendeu Calisto III organizar uma armada internacional que desde logo obteve a concordância de D.Afonso V.

Calisto III envia em 15 e Fevereiro o legado pontíficio por acaso o português D.Álvaro Afonso bispo de Silves, para presidir à colecta da dízima para essa cruzada.

As ordens eram claras, induzir as 4 ordens militares existentes Cristo, Avis, Santiago e do Hospital a entrarem no combate aos turcos, sob pena de excomunhão e de perda dos ofícios.

A insistência papal levou a que D.Afonso V proferisse publicamente em 25 de Julho deste ano, um voto de tomar parte na cruzada contra os turcos, nomeando e enviando como embaixador à cúria romana João Fernandes Silveira, que viria a confirmar esse mesmo voto em Roma, a 8 e Setembro.

O empenho de D.Afonso V, não pareceu contudo ter igual repercussão noutros reinos Europeu como Aragão, Nápoles, França os ducados de Borgonha e de Sabóia, entre outros. Sem embargo do papa ter armado uma frota de 25 velas comanda pelo cardeal Scarampi e o português João Vasques Farinha como vice-almirante.

Provavelmente por força desse menor empenho europeu, pela iniciativa papal, ou por outra razão qualquer o certo e que o interesse do nosso rei arrefeceu um pouco, preferindo vir a utilizar os eventuais efectivos militares portugueses, no reforço da praça de Ceuta.

sábado, 3 de Maio de 2008

A bula Romanus Pontifex(1455)

Através da Bula Romanus Pontifex,o papa Nicolau V em 8 de Janeiro de 1455, concede ao rei de Portugal, seus sucessores e ao infante D.Henrique, as terras descobertas ou a descobrir pelos Portugueses.

Que vai desde o cabo Bojador e do cabo Não, correndo por toda a Guiné, passando além dela e vai para a plaga meridional, declaramos pelo teor da presente que também tocou e pertenceu ao mesmo rei D.Afonso e a seus sucessores e ao infante, com exclusão de quaisquer outros e que perpetuamente lhe tocam e cabem por direito.

Este é o texto parcial da bula referida , que inicia o verdadeiro interesse papal pelas viagens além do Cabo Bojador, concedendo para além da própria expansão em si e do estímulo pela descoberta, os direitos de conquista e submissão de povos à servidão, tal como mais tarde Alexandre VI fará em 1493 com a bula Inter Coetera ,idêntica concessão à Espanha

Todavia, o rei português tem que garantir o governo espiritual das novas terras. Tem que enviar missionários e aí fundar igrejas, onde se possam ministrar os sacramentos.

Devem também ser aí criados mosteiros e outros locais de culto e oração. A bula vai mais longe ao dizer que o comércio nestes territórios ultramarinos é de exclusiva pertença dos portugueses e que quem neles exercer comércio sem licença, poderá vir a ser excomungado.


*****Outros acontecimentos ******
  • Março-Cortes de Lisboa
Nestas cortes em Lisboa, foi a última vez que se fez menção explícita à falta de população, a partir daí multiplicam-se os indícios de recuperação demográfica.
Foram també concedidos os pedidos com destino ao casamento de D.Joana irmã de D.Afonso V com Henrique IV de Castela.
Em Junho deste ano voltaram a reunir-se as cortes em Lisboa, com o fim de ser jurado o princípe herdeiro o futuro D.João II
  • Maio, 03-Nascimento em Lisboa do infante D.João, que viria a ser o tei D.João II.
Nasceu em Lisboa no Paço das Alcáçovas no Castelo de São Jorge no dia 3 de Maio de 1455. Era filho do rei D.Afonso V de Portugal e de sua prima Isabel de Urgel, princesa de Portugal e filha de D.Pedro e de D. Isabel, duques de Coimbra.

Pelo lado paterno é neto de D.Duarte e da princesa Leonor de Aragão.

As avós são ambas aragonesas e os avós e os pais portugueses É um rei ibérico também nos seus antepassados mais próximos, já que apenas a sua bisavó D.Filipa de Lencastre o não era.
  • Julho,20-Carte régia de ilibação de todos os que se colocaram ao lado do infante D.Pedro em Alfarrobeira.
  • Dezembro,02-Falecimento de D. Isabel de Aviz, rainha consorte de D. Afonso V .
Rainha de Portugal, filha do Infante-Regente D. Pedro, Duque de Coimbra e de sua mulher a princesa D. Isabel de Aragão, Condessa de Urgel, filha do rei Jaime II de Aragão. Casou em 6 de Maio de 1447 com o seu primo direito D. Afonso V.

Foi mãe de D. João II e de Santa Joana Princesa, ou princesa Santa Joana de Portugal.

Sua irmã mais nova e solteira, D. Filipa de Lancastre, infanta de Portugal, que vivia recolhida, embora sem professar, no Mosteiro de Odivelas, serviu então de mãe aos filhos da Rainha.

Antes de morrer, a rainha D. Isabel de Aviz vai obter do rei e marido o arrependimento pelo tratamento dado ao Infante das Sete Partidas, cuja desgraça causara espanto, escândalo e consternação na Europa de 1449; a reabilitação da memória de D. Pedro ficou manifesta nas grandes cerimónias, ordenadas por D. Afonso V, de trasladação processional do corpo do Infante assassinado da humilde igrejinha de Alverca, onde por caridade o haviam sepultado em segredo, sob os degraus de pedra da entrada, alguns pescadores do rio Tejo, para Sta. Maria da Vitória da Batalha, junto de seus pais e irmãos.






terça-feira, 15 de Abril de 2008

Gomes Eanes de Zurara guardador da Torre do Tombo(1454)

Cronista português, filho do cónego Joane Gomes de Zurara. Foi educado sob a protecção de Afonso V, tendo, posteriormente, substituído Fernão Lopes nos cargos de cronista oficial da corte e guarda-mor do arquivo da Torre do Tombo, em 1454. Foi, desde 1451, responsável pela livraria real.

São da sua autoria a Crónica da Tomada de Ceuta ou Terceira parte da Crónica de D. João I (1450, sendo as duas primeiras partes da autoria de Fernão Lopes), a Crónica dos Feitos da Guiné (1453), a Crónica de D. Pedro de Menezes (1463) e a Crónica de D. Duarte de Menezes (1468).

Zurara era filho ilegítimo de um cónego e pensa-se que a sua formação tenha sido feita, já tardiamente, na corte do rei D. Afonso V. Foi cavaleiro da ordem de Cristo e comendador de Alcains, da Granja do Ulmeiro e de Pinheiro Grande.

As suas crónicas diferem substancialmente das do seu antecessor, Fernão Lopes. Por um lado, as condições políticas haviam sofrido alterações.

O reinado de Afonso V marcou um certo regresso a uma mentalidade feudal. As crónicas de Zurara são, antes de mais, elogios de grandes senhores (por exemplo, do infante D. Henrique, ou de Duarte e Pedro de Menezes), e não tanto, como as de Fernão Lopes, frescos de uma época, retratos históricos das diversas partes — incluindo o povo — que nela intervieram.

Por outro lado, os seus métodos de investigação divergiam também dos de Fernão Lopes. Em vez do confronto de diferentes fontes escritas, Zurara recorria sobretudo ao testemunho oral dos protagonistas dos acontecimentos relatados.

De referir que, embora envolvido pelo espírito de cruzada que animava as conquistas africanas, Zurara manifesta sentimentos de piedade para com as vítimas dessas guerras, bem como para com os primeiros escravos negros vendidos em Portugal, em Lagos, episódio que relata na Crónica dos Feitos da Guiné.

Embora historicamente rigorosa, falta ao seu trabalho uma visão de conjunto. O seu estilo revela já traços da cultura clássica e erudita do Renascimento, por vezes sob a forma de um discurso excessivamente afectado.


Créditos :História da Literatura Portuguesa

  • Contratação de Cadamosto para o serviço do Infante

Este ano foi o da contratação pelo Infante D.Henrique do navegador veneziano Alvise de Cadamosto, para realizar algumas viagens ao serviço de Portugal
Ainda jovem chegou a Portugal com cerca de 20 anos, mas já com bastante experiência de navegação sendo certo que habitualmente em águas Mediterrâneas.

Foi o acaso de numa viagem com destino a Bruges, o navio onde seguia ter sido obrigado a acolher-se junto ao Cabo de S. Vicente, devido aos ventos contrários. Foi essa a oportunidade para o convite, para as viagens de exploração ao longo da costa de África, prometendo avultados lucros aos participantes. Foi esse intento que levou Cadamosto a abandonar a carreira do Norte da Europa, embarcando numa caravela armada pelo Infante na qual o veneziano foi como mercador.

Viria a realizar duas viagens ao serviço do Infante, após o que voltou para Veneza onde seguiu a carreira política como era costume entre os homens nobres da sua cidade.

Ao serviço da coroa portuguesa explorou a costa ocidental da África, sendo-lhe creditado o descobrimento de algumas das ilhas de Cabo Verde e a exploração da foz do rio Gâmbia e costa adjacente, incluindo o arquipélago dos Bijagós.

  • Nomeação do Infante D.Henrique para a Ordem de Cristo
A Ordem de Cristo era uma versão lusa da Ordem dos Templários que ao invés de se indispor com a monarquia como ocorreu com os templário franceses com Felipe o belo, foi por ela instrumentalizada e mobilizada para a conquista dos mares.

O que de concreto se sabe é que o Infante, como grão-senhor da poderosa Ordem de Cristo recebeu em 8 de janeiro de 1454, do papa Nicolau V, o monopólio da exploração comercial das actividades praticadas na costa africana até a Índia.

Isto tornou-o, objectivamente, um grande interessado em estimular o desbravamento dos mares. Daí denominar-se as primeiras décadas do século 15 como a era dos descobrimentos Henriquinos.

sábado, 5 de Abril de 2008

Queda de Constantinopla(1453)


Numa terça-feira a 29 de Maio de 1453, Constantinopla foi conquistada, após um cerco de sete semanas, à frente de 100 mil soldados otomanos comandadas pelo sultão turco-otomano Maomé II, tendo no cerco morrido Constantino XI, o último imperador bizantino.

Este ataque desencadeado por Maomé II, tornou-se num grave acontecimento em toda a Europa, transformado em angústia progressivamente ao longo dos anos que se irão seguir, pelo avanço daquelas tropas pelos Balcãs, chegando a sitiar Belgrado.

O cisma entre as Igrejas Ortodoxa e Católica mantinha Constantinopla distante das nações ocidentais, o que naturalmente enfraqueceu as suas defesas.


Também D.Afonso V se impressionou chegando a prometer ao papa Calisto III o envio duma força de 12 000 homens de defesa para os Balcãs, precipitadamente como era seu hábito, dado que se ratava duma despesa incomportável, manter toda aquela gente durante um ano, a expensas do tesouro real,

Obviamente que não chegou a cumprir a promessa porque o avanço turco não foi afinal tão célere como se tinha previsto e também porque os outros monarcas europeus, mais precavidos em termos financeiros, se desinteressaram da aventura.


Porém D.Afonso V, já tinha o exército armado, virando contudo de objectivo, apontando-o para o inimigo mais próximo, em terras de África como se verá adiante,

A queda de Constantinopla marcou o fim da Idade Média na Europa, e também decretou o fim do último vestígio do Império Bizantino ou Romano do Oriente, sendo também esta data normalmente identificada como o fim da Idade Média e o Início da Idade Moderna.

Constantinopla manteve-se capital do Império Otomano até a dissolução do império em 1922, e foi oficialmente renomeada Istambul pela República da Turquia em 1930.

******* Outros acontecimentos*******
  • Expedição de Cid se Sousa ao cabo dos Mastros, onde já havia chegado Álvaro Fernandes em 1445.
  • Janeiro,20-Doação da ilha do Corvo ao infante D.Afonso duque de Bragança.
Em aparente contradição com o as disposições testamentárias de D.Henrique, a carta de doação de D. Afonso V ao Duque de Bragança, seu tio, encontra-se pela primeira vez a referência à ilha do Corvo. Face à importância desta grande figura da nobreza parece um pouco estranho que lhe tenha sido doado o Corvo e não a ilha das Flores, considerando o insignificante tamanho desta ilha, a distância a que se encontrava do reino e tendo em conta que na Terceira ainda haviam terras por povoar.

sábado, 29 de Março de 2008

Diogo de Teive descobre as ilhas do Corvo e Flores(1452)

Diogo de Teive foi capitão de caravela e escudeiro do Casa do Infante D. Henrique, e em 1451 desembarcou na Terceira como ouvidor do Infante com a missão de realizar viagens exploratórias nos arredores do Atlântico, conhecido como Mar dos Açores.

No regresso de sua 2.ª viagem de exploração, em 1452, terá sido descoberta em simultâneo a Ilha das Flores e do Corvo, já que as ilhas se avistam mutuamente.


Não se deve atribuir a mera sorte essa descoberta, já que em mapas genoveses anteriores, são mencionadas a existência desta Insula Corvi Marini (Ilha dos Corvos Marinhos).

Apesar de ter sido esta a origem do nome, sua primeira designação foi a de Ilhas Floreiras, depois, Ilha de Santa Iria, mas foi também chamada de Ilhéu das Flores, ilha da Estátua, ilha do Farol, ilha de São Tomás e ainda de Ilha do Marco, nome que persistiu durante alguns séculos em razão do monte do Caldeirão servir como referência geográfica para os marinheiros.


Apesar da incerteza quanto à data do achamento português da ilha, é seguramente anterior a 20 de Janeiro de 1453, data em que o rei D. Afonso V de Portugal faz doação destas ilhas, a seu tio D. Afonso de Portugal, duque de Barcelos.

*******Outros acontecimentos**********
  • Fevereiro,06-Nascimento de Joana de Portugal (princesa - filha de D. Afonso V e D. Isabel)
Publiquei no blog de D.João II, uma entrada no ano de 1490 data da sua morte onde se pode ler algumas notas sobre a sua biografia, clicando aqui.

  • Autorização do infante D.Henrique para que Diogo de Teive montasse uma fábrica de açúcar na Madeira.
Alguns investigadores sugerem que esteve relacionado com o desaparecimento do nobre flamengo Jácome de Bruges, Capitão donatário da ilha. Diogo de Teive veio viver para a Ribeira Brava, após 1472. Diogo de Teive, e seu filho, João de Teive, detiveram direitos sobre as ilhas até 1474, ano em que D. Fernão Teles de Meneses, casado com D. Maria de Vilhena, comprou os direitos sobre as ilhas. Foi então concedido autorização para a construção do engenho a Diogo de Teive, apresentando já, provavelmente, a nova técnica de um moinho de dois eixos de madeira horizontais, criado especificamente para a cana-de-açúcar, que, segundo alguns autores, surge na Madeira, como inovação resultante do desenvolvimento técnico renascentista, no início da idade moderna.
  • Abril,08-Perdão geral a servidores de D.Pedro, que tinham combatido a seu lado em Alfarrobeira.
Este perdão foi concedido "à gente miúda de Coimbra, Montemor-o-Velho, Penela, Tentúgal, Vila Nova de Anços, Aveiro, Lousã e Miranda, habitantes das terras do ex-regente D.Pedro.
  • Nicolau V confere através da bula Dum diversas a D.Afonso V a faculdade de conquistar terras aos infiéis e de os subjugar legitimamente.
  • Infante D.Henrique manda erguer a Ermida de Santa Maria de Belém
Antecessora do Mosteiro dos Jerónimos . Entregou-a aos monges da Ordem de Cristo com a incumbência de prestar assistência ao muitos marinheiros que ali chegavam. É a partir desta altura – e graças a esta Ermida - que o local passou também a ser conhecido por Belém, tal como a terra natal de Jesus Cristo.
  • Primeiro convento fundado pelos franciscanos em Angra (Terceira)
**********Outros acontecimentos fora de Portugal*********
  • Abril,15-Nascimento de Leonardo da Vinci

Leonardo nasceu a 15 de Abril de 1452, na pequena cidade de Vinci, perto de Florença, centro intelectual e científico da Itália.

O seu talento artístico cedo se revelou, mostrando excepcional habilidade na geometria, na música e na expressão artística.

Reconhecendo estas suas capacidades, o seu pai, Ser Piero da Vinci, mostrou os desenhos do filho a Andrea del Verrocchio. O grande mestre da renascença ficou encantado com o talento de Leonardo e tornou-o seu aprendiz. Em 1472, com apenas vinte anos, Leonardo associa-se ao núcleo de pintores de Florença.

Créditos: clicar aqui

quarta-feira, 19 de Março de 2008

Casamento de D.Leonor com Frederico III(1451)


As primeiras cortes realizadas no período pós regência foram as de Santarém. Um dos motivos que levou à sua convocação foi o lançamento do pedido destinado a custear as despesas de casamento de D.Leonor irmã do rei com o Imperador Frederico III da Alemanha.

D.Leonor era irmã do rei, e o casamento por procuração viria a realizar-se no dia 9 de Agosto deste mesmo ano, mas os grandiosos festejos tiveram lugar em Lisboa entre os dias 13 e 25 de Outubro.

Estiveram presentes embaixadores que representavam os reis de toda a Europa e durante dias e noites realizam-se, banquetes, danças, jogos, cortejos, touradas e matança de touros, cuja carne era distribuída pelo povo, exibição de animais e homens exóticos que haviam sido trazidos de África, torneios, justas, duelos e caçadas, representações teatrais, declamações de discursos de homenagem à princesa.

Este casamento fora negociado no ano anterior pelo barão do Alvito, João Fernandes da Silveira, em Nápoles para concretizar este casamento.

Depois dos festejos partiu uma armada de Lisboa, com destino a Itália, onde se iria efectuar a coroação do casal em 19 de Março de 1452, pelo papa Nicolau V, sendo Frederico III o último imperador ali coroado.
**************************************
Outros acontecimentos em Portugal
**************************************
  • Doação pelo infante D.Henrique a Gonçalves Zarco da parte ocidental da ilha da Madeira.
O governo da Ordem de Cristo, pertencia ao infante D.Henrique, conhecendo as ilhas da Madeira e dos Açores, alterações na sua colonização, instituído-se modelos por capitanias. Na Madeira as terras do rio Caniço à ponta do Tristão, haviam sido confiadas a Tristão Vaz Teixeira e a do Funchal a Gonçalves Zarco.
  • D.Afonso V concede ao infante D.Henrique permissão para construir moinhos de vento na alcáçova de Santarém e barcos no Tejo, de Constância a Lisboa.






terça-feira, 11 de Março de 2008

No rescaldo da batalha de Alfarrobeira(1450)

A batalha de Alfarrobeira, também teve bastante repercussão internacional, pelo tratamento impiedoso e indigno a que foram sujeitos os despojos do infante D.Pedro e dos demais vencidos naquela batalha.

D.Afonso V tentou justificar-se alegando com os acontecimentos sucedidos logo após a morte de D.Duarte e a negação da tutoria pessoal do rei a D.Leonor de Aragão, mantendo-se a argumentação num registo acusatório de autoritarismo, governo ambicioso, tirânico e manipulador.

Contudo as respostas que chegavam à corte não vinham conforme com o pretendido, pelo contrário traziam apontamentos de muito louvor para com o infante D. Pedro e "enviaram acerca da sua morte muito repreender El Rey" como dizia o cronista Rui de Pina.

Inclusivamente no ano de 1450 pela bula "Querelam dilecte" de 21 de Maio o papa Nicolau V manifesta a sua estranheza pela forma desumana como tinha sido tratado o corpo de D.Pedro, insepulto durante 3 dias.

Mais tarde em 1452 veio o Papa a declarar que depois de ouvidas as justificações dos emissários do rei de Portugal, aceitou as explicações dadas, permitindo que D.Afonso V prosseguisse a sua política de afastamento de cargos e dignidades a todos os eclesiásticos que tenham contribuído pelo seu apoio à revolta do infante D.Pedro.

Quanto á questão da sepultura, uma vez que D.Afonso V lhe afirmara que se havia dado sepultura cristã ao infante, Nicolau V anula a bula acima referida , onde havia ordenado aos bispos de Tournai, de Salamanca e de Leão que admoestassem todas as pessoas que sob pena de excomunhão, fossem conivente na ocultação do corpo de D.Pedro.

Internamente contudo o rei prossegue a confiscação dos bens aos partidários de D.Pedro, distribuindo-os por aqueles que tinham lutado a seu lado, iniciada no ano anterior. Entre os principais beneficiários como não podia deixar de ser encontra-se o duque de Bragança e o seu filho o conde de Ourém.
********************************
Outros acontecimentos em Portugal
********************************
  • Nicolau V por bula, confirma ao rei de Portugal todos os territórios ultramarinos descobertos a mando do conde D.Henrique.
  • Março,02-Carta de doação do infante D.Henrique a favor de Jácome de Bruges, natural de Flandres, como donatário a ilha de Jesus Cristo (Terceira) Açores.
Doada a ilha Terceira, e feito seu primeiro capitão Jácome de Bruges pela carta que lhe foi passada na cidade de Silves a 2 de Março da 1450 anos, imediatamente cuidou de se investir na posse; e tendo passado dez meses, partiu para ela com dois navios, à sua custa carregados de vacas, porcos, ovelhas e de tudo o mais necessário à sustentação e serviço dos homens.
  • D,Afonso V concede ao infante D.Henrique o exclusivo da pesca do coral nos mares do reino por cinco anos.
Ler mais sobre a pesca do coral neste artigo, publicado no magnífico blogue Blogue de Histórias e Estórias.
  • Carta de doação da Capitania do Funchal a João Gonçalves Zarco.
dividindo a ilha em duas capitanias, fez mercê duma delas, a do Funchal, a João Gonçalves Zarco. Partiu este para a sua ilha, depois de ter casado com uma senhora por nome Constança Rodrigues de Almeida, e todo se entregou à colonização da sua maravilhosa propriedade. Não se esqueceu contudo dos seus deveres de cavaleiro, nem sobretudo da multa gratidão que devia ao infante D. Henrique, e, quando este quis tentar a expedição de Tanger, veio pôr-se à sua disposição. No cerco de Tanger foi armado cavaleiro pelo infante, e tendo escapado com vida a essa desastrosa expedição, tornou para a Madeira, onde, aproveitando as ricas maltas que existiam ali, fez construir alguns navios com que de vez em quando auxiliou o infante nas suas expedições de descobrimento para além do cabo Bojador

Extraído do Portal da História
  • D.Henrique recebe o governo da praça de Ceuta.
  • Junho,27-Fernandes da Silveira é enviado a Aragão p/contratar o casamento de D.Leonor (irmã do rei) com Frederico III imperador alemão.

terça-feira, 4 de Março de 2008

Nascimento de Nuno Gonçalves(1450)


Embora tardiamente, Nuno Gonçalves acabou por ser reconhecido como fundador da escola de pintura portuguesa e um pintor de importância universal. Uma grande obra sua, O Políptico de São Vicente, hoje no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, consiste em seis paíneis, dois largos e quatro mais estreitos, dominados pela figura de São Vicente, o santo patrono de Lisboa e da casa real de Portugal.Obra que esteve desaparecida, só em 1882 veio a ser descoberta no Convento de São Vicente. A sua obra prima para a catedral de Lisboa foi destruída no terramoto de 1755. Recebeu a influência da arte italiana e flamenga, sem deixar entretanto de evidenciar seus próprios atributos e muita personalidade.
********************************

  • Provável nascimento do Pintor holandês Hieronymus Bosch

Hieronymus Bosch é o pseudónimo de Jerónimo van Acken.

Têm-se apenas dados da sua vida. Em 1486 ingressa na Confraria da Virgem Maria, para a qual, além de pintar, organiza a representação teatral de mistérios.

Em 1493 desenha os vitrais da Catedral de S. João da sua cidade natal.

Em 1504, o Arquiduque Felipe, o Belo, encomenda-lhe um quadro sobre o Juízo Final. São muito poucas as obras de Bosch que chegam até aos nossos dias. Há sete quadros de atribuição completamente segura e uma vintena de atribuição muito provável.

Bosch destaca-se pela sua originalidade. Vive numa época muito apressada entre a Idade Média e o Renascimento, e há nele um moralismo e um tratamento das alegorias tipicamente medievais.

O seu modo de considerar os santos como seres comuns e vulneráveis (As Tentações de Santo Antão, tríptico, no Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa) difere da tradição medieval.

Às vezes parece roçar o mundo da loucura (A Nave dos Loucos) ao reflectir os atrozes castigos que esperam os pecadores (O Juízo Final, díptico conservado em Bruxelas) ou as tentações dos prazeres proibidos (O Jardim das Delícias, no Prado).

Obra grande sua é o Carro de Feno, símbolo dos prazeres materiais: o carro está ocupado por um par de namorados e, além disso, tentam subir para ele personagens de todo o tipo, desde um vilão até um imperador e um papa.

O talento de Bosch reside em saber ultrapassar a mera narração do seu universo simbólico para o recriar com um dinamismo surpreendente.

Retirado de :Vidas lusófonas

segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

A batalha da Alfarrobeira(1449)

Conforme havia sido assumido na exclusão da regência do duque de Coimbra, na qual D.Afonso V, enquanto rei, se comprometia a respeitar todas as decisões que foram tomadas por D.Pedro naquele período, não foi na realidade cumprido pelo Rei.

Já foi descrita no post anterior, a acção do duque de Bragança, na região Norte de destituição , das autoridades locais nomeadas por D.Pedro. Também as pressões dos partidários da rainha D.Leonor, afastada da corte pelo infante D.Pedro, para restituição das terras e benesses que lhe haviam sido retiradas.

A ambas pretensões, foi D.Afonso V cedendo por moto próprio, sem nunca resolver esse problema em Cortes, mas duma forma avulsa e ao sabor dos acontecimentos. Uma coisa é certa, de qualquer modo em desacordo com o que se a havia comprometido com seu tio D.Pedro.

Logo no início do ano de 1449, através dum carta é concedido o perdão real a todos os partidários de D.Pedro, que foram incriminados no processo anteriormente referido, pela resistência contra o serviço régio e da finada rainha D.Leonor. Exceptuando desse perdão, algumas personalidades directamente envolvidas no afastamento da mãe de D.Afonso V, da tutela do filho e da regência em 1439.

Todos estes acontecimentos convenceram o infante D.Pedro de que apenas lhe restava a solução de combater pela força todos os que agora dominavam o rei, o que o levara em Setembro de 1448 a Castela, para se encontrar com o influente D.Álvaro de Luna, Condestável de D.Juan II ao qual o regente havia ajudado militarmente em anos anteriores, buscando agora auxílio nas suas pretensões.

Pelo menos assim o interpretou D,Afonso V que ordenou a seu tio que lhe entregasse as armas, que guardava no seu castelo de Coimbra, que D.Pedro recusou.
Estavam em definitivo cortadas as possibilidades de acalmia nas relações entre ambos.

D.Afonso chama o duque de Bragança à corte, que foi prontamente cumprido pelo duque, trazendo o seu exército, que naturalmente pretendeu fazer atravessar por terras de Coimbra,a que o duque de Coimbra de imediato se opôs, no que considerou uma ofensa à sua dignidade.

O duque de Bragança toma então a decisão de prosseguir, chegado-se mais para sul, para terras mais perto do exército real, assentando arraial junto a Santarém.

A D. Pedro foi aconselhada moderação por seu irmão o infante D.Henrique nessa altura situado em terras de Tomar, a quem se dirigira como personalidade capaz de suster a guerra que se adivinhava.Pelo que o duque de Coimbra que mantivera os seus exército acampados em Coja, regressa a Coimbra.

Dos vários conselhos recebidos foi o de confrontar directamente as tropas de D.Afonso V, que D.Pedro decidiu seguir aplicando-se o princípio "Antes morrer grande e honrado que viver pequeno e desonrado"

Iniciou a sua marcha para sul, depois de mandar fazer grandes festas em Coimbra e com paragem na Batalha para missa e em Rio Maior durante 3 dias, na esperança de reunir maior contingente de tropas.

Em 27 de Agosto de 1449, as tropas do rei e do duque de Bragança, encontram-se reunidas e acampadas em Santarém. Face ao avanço de D.Pedro para sul em direcção a Lisboa e ao completo desprezo com que o o infante acolhia a ordem real de abandono da ofensiva e regresso a Coimbra, decide então avançar ao encontro do grupo de D.Pedro.

Muita gente entretanto havia desertado das força comandadas por D.Pedro, à medida que o avanço para Lisboa se acentuava, maior era a previsão que a desproporção de forças acentuava, numa derrota militar do infante. Era esse o balanço que se podia fazer quando acampou junto ao ribeiro de Alfarrobeira, perto de Alverca.

Uma vez frente a frente mais se acentuaram a desproporção das forças, retirando todas as possibilidades de vitória para D.Pedro, ao mesmo que se manifestava a vontade do rei de não querer atacar as tropas do duque seu tio, apenas exigia a sua rendição incondicional, no que não houve acolhimento

A confrontação foi breve, mas violenta tendo o infante D.Pedro sido atingido com uma seta no coração, vindo a falecer, ficando o seu cadáver abandonado no campo e depois recolhido numa pobre casa durante 3 dias, completamente ao abandono, sem o tratamento com a dignidade, que o seu nascimento impunha.




terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Afastamento de D.Pedro da governação

Atendendo a factos sucedidos no ano de 1447, nada fazia prever que as relações entre D.Afonso V e o seu tio D.Pedro duque de Coimbra, viessem a deteriorar-se.

Inclusivamente em Agosto haviam sido confirmadas pelo rei os seus bens patrimoniais, quer na área de Coimbra e Aveiro mas igualmente em Setúbal, Alcácer do Sal e Évora.

Porém no princípio de 1448, as informações pouco abonatórias sobre D.Pedro chegadas ao Rei, sempre com a manipulação do Duque de Bragança, do conde de Ourém e do arcebispo de Lisboa, D.Pedro de Noronha.

A intriga surtiu efeito no espírito do monarca que não atendeu às tentativas de conciliação do próprio D. Pedro que lhe escreveu renovando a sua obediência e defendendo-se das calúnias

Formalmente despedido por carta real de 11 de Julho de 1448, não faltaram os elogios da praxe e o reconhecimento das dificuldades encontradas, bem com a garantia dada que aprovaria tudo o que por D.Pedro havia sido feito na governação de Portugal.

Após esta carta D.Pedro recolheu aos seus domínios de Coimbra.Porém a questão não iria ficar por aqui a demissão de D.pedro da governação trouxe também muita agitação, em vários locais do reino, por parte dos seus seguidores o que terá trazido alguma inquietação ao Rei.

D.Afonso V, tinha também outra preocupação a de repor justiça para com os que haviam tomado o partido de sua mãe. que iria colidir naturalmente com concessões nobiliárquicas outorgadas por D.Pedro
.
O meses que se irão seguir até Maio do ano seguinte vão ser decisivos, a pouca força dos seguidores do infante com assento no Conselho Real e a excessiva confiança de D.Pedro, que sua filha a rainha, moveria influência bastante junto da Corte e do rei, para que a questão não se agravasse, não foram suficientes para suster o desenlace que se avizinha.

Este conflito afinal não passava dum manifesto reencontro entre as casas de Bragança e de Coimbra, aproveitando o duque Afonso de Bragança, para ir destituindo dos seus cargos, todos os oficiais que D. Pedro havia nomeado entre Entre Douro e Minho.

D.Afonso de Bragança, e primeiro duque era filho bastardo de D.João I, irmão de D.Pedro, mas nunca havia perdoado que a sua bastardia o não tivesse colocado ao nível dos seus irmãos. A verdadeira disputa era pois para já, disputar a influência junto do rei D.Afonso, para isso havia para já que destronar D.Pedro desse lugar, mais tarde se veria o que fazer.

Um encontro em Lisboa, entre D.Afonso V e seu tio D.Henrique, irmão de D.Pedro, por proposta deste último, que pretendia intermediar uma reconciliação.

Um a um contudo todos os nobres do reino mesmo os mais importantes, que era amigos ou apoiavam D.Pedro, ou preenchiam lugares nomeados por ele foram notificados a afastarem -se do Duque de Coimbra.

Entre eles o conde de Avranches D.Álvaro Vaz de Almada, um dos primeiros que na Europa havia sido galardoado com a Ordem da Jarreteira, fiel amigo de D.Pedro.

Em Novembro, foi determinado que o Infante de Sagres, fosse a Coimbra junto do irmão, procurar que D.Pedro assinasse um documento de defesa, enquanto idêntico documento era pedido ao Duque de Bragança, depondo nas mãos do rei a decisão da contenda, entre os dois irmãos.

O documento de concórdia emanado do rei acabou por ser assinado pelos dois duques, parecendo que a contenda ficaria por ali.
*******************************************
Outros acontecimentos em Portugal
*******************************************
  • Outubro-Confirmação da doação ao Infante D.Henrique do cabo de S.Vicente
Carta de confirmação da doação ao Infante D.Henrique do cabo de Transfalmenar (S.Vicente ) e de uma légua em seu redor.
********************************************
Outros acontecimentos fora de Portugal
********************************************
  • Itália-Francisco Sforza senhor de Cremona ao serviço da República Ambrosiana reconquista Piacenza e Tortona
  • Frederico III de Habsburgo e o papa Nicolau V assinam a Concordata de Viena, conforme as pretensões dos signatários do Concílio, é reconhecida a liberdade de eleição dos bispos e o direito de confirmação por parte da Santa Sé.
  • Império do Oriente-Morre o imperador bizantino João VIII sem deixar descendência sucedendo-lhe seu irmão Constantino




terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

A Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma

A Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma, situado na Via del Portughesi, deriva de outra muito mais antiga, que teve por titular não o nosso Santo António de Lisboa, mas Santo Antão evocado numa capela que aí existia e que em 1440 foi adquirida por D.Antão Martins de Chaves que viria ser 2 anos mais tarde bispo do Porto, anexando-a ao hospício que D. Guiomar de Lisboa havia fundado, cerca de 1363, para assistência dos peregrinos e peregrinas pobres, idos de Portugal com o fim de venerar os túmulos dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e de lucrar indulgências.

Desta invocação de Santo Antão (que em latim e italiano se diz Santo António) tornou-se fácil passar à do nosso Santo António, dito de Lisboa, porque aqui nasceu, ou de Pádua, porque aí morreu e foi sepultado.


No decurso dos tempos, a igreja foi ampliada e diversas vezes restaurada e sempre cada vez mais enriquecida.

A fachada ostenta o brasão de Portugal. O interior é harmonioso, rico em mármores, estuques e bronzes; consta de uma só nave, com quatro capelas laterais e amplo transepto.
Na primeira capela do lado esquerdo, há um quadro de Antoniazzo Romano (1430-1508), pintado sobre madeira, que representa a Virgem Maria com o Menino, Santo António e S. Francisco de Assis; é talvez a obra de arte mais antiga e de maior valor. Os restantes quadros são de autores mais recentes.

A grande tela do retábulo da abside, que representa a aparição de Nossa Senhora com o Menino a Santo António, é do pintor Giacinto Calandrucci (1646-1707).

Também é do mesmo o Baptismo de Jesus, na segunda capela do lado direito.
Singularmente expressivo é o grande quadro de Santa Isabel (entre o marido D. Dinis e o filho D. Afonso IV), no lado direito do transepto dos pintores romanos José Cades (1750-1799) e Luigi Agrícola (1710-1801), que o terminou.

Na extremidade oposta do mesmo transepto encontra-se o altar da Imaculada Conceição; o quadro foi pintado por Jácome Zoboli (1681-1717). Na capela-mor, nas duas paredes laterais, há dois quadros, pintados a óleo sobre tela à volta dos anos de 1720-1730; um deles representa as Princesas Santas Sancha e Teresa, filhas de D. Sancho I, e o outro a Princesa Santa Joana, filha de D. Afonso V.

Estas figuras, com Santa Mafalda, também se encontram nos medalhões da cúpula desde a segunda metade do século XIX, tendo sido afrescadas pela mão de Francesco Grandi (1831-1891), outrossim autor dos pendentes que representam os Santos Mâncio, Geraldo, Dâmaso e Vítor, de origem ibérica.


(Texto extraído de João Gonçalves Gaspar, Santa Joana em Roma, In: "Correio do Vouga", 1 de Agosto de 2007, p. 8.)

O cardeal D.Antão Martins de Chaves bispo do Porto morreu em Roma no dia 11 de Julho de 1447.

*******************************************
Outros acontecimentos em Portugal
*******************************************
  • Março-Cortes de Évora
*******************************************
O motivo fundamental da sua convocação, relaciona-se com a votação de pedidos destinados às festas de casamento entre D.Afonso V e D.Isabel.
Tratava-se de promover uma recolha de fundos para cobrir as despesas matrimoniais.
Contudo o respectivo contrato nupcial só seria lavrado em Lisboa no dia 6 de Maio de 1447.
É garantida a dotação à noiva D.Isabel de todas as terras e vilas que haviam pertencido à mãe de D.Afonso V, uma renda anual substancialmente maior, bem como todos os bens que lhe haviam pertencido.

*******************************************
  • Agosto-D.Afonso V confirma a D.Pedro a isenção da dizima das mercadorias trazidas ao reino vindos de São Miguel.
*******************************************
Carta régia concedendo a seu tio D.Pedro a isenção do pagamento da dízima das mercadorias trazidas ao reino pelos moradores da ilha de São Miguel, "pertencente" ao duque de Coimbra.

A convicção de povoar as ilhas açoreanas fica comprovado com esta carta régia, como já acontecera em 1443 que já atestava nessa altura o desenvolvimento registado nos primeiros anos de povoamento dos Açores.

O regente D.Pedro isentara durante 5 anos, Gonçalo Velho, comendador do arquipélago, os moradores e povoadores das ilhas do pagamento da dízima e da portagem “ de todas as coisas que dela trouxeram ao Reino.

Portanto esta carta régia é a prorrogação da carta de 1443, desta vez assinada pelo rei e não pelo regente, que passa a "dono" das referidas ilhas. Entretanto os direitos são aumentados isentando-os também do pagamento de dízimas sobre o pão, vinho, peixe e madeira.

A especificidade da legislação referente a S.Miguel face às outras ilhas resultam da maior dificuldade no seu povoamento devido à sua grande extensão e às constantes manifestações vulcânicas desencorajavam a fixação de pessoas.

*******************************************
  • O navegador Alvaro Fernandes atinge a ilha dos Bancos na actual Conacry, trazendo água do rio Senegal para o Infante D.Henrique.
*******************************************
Outros acontecimento fora de Portugal-1447
*******************************************
  • Fevereiro,23-Morte do Papa Eugénio IV em Roma, vítima de envenenamento, sucede-lhe Tomaso Parentucelli, Nicolau V, 209º papa.
*******************************************
  • Castela-Leão-Casamento de D.Isabel filha do infante D.João e prima direita de D.Afonso V, com D.João II de Castela, pais da futura Isabel a Católica.
******************************************


sábado, 2 de Fevereiro de 2008

O rei atinge a maioridade

No dia 15 de Janeiro de 1446, D.Afonso V perfez 14 anos, segundo os costumes atingia a maioridade, sendo-lhe reconhecido o direito à administração e posse do reino.

Nesse dia em Lisboa no Palácio das Alcáçovas, em sessão plenária de Cortes, o regente D.Pedro entrega ao sobrinho a vara real da justiça.

Segundo Ruy de Pina o cronista e porque as pressões nomeadamente do tio D.Henrique, foram bastante grandes, no sentido do governo de Portugal, se manter mais algum tempo, nas mãos do ex-regente D.Pedro, tendo o rei aceitado "porque receava não poder sozinho com tamanho cargo".

Assim aconteceu realmente mas desde essa altura nunca mais D.Afonso V deixará de intervir nos negócios do reino.

Foi também nestas cortes em Lisboa, que se confirmou oficialmente o casamento de D.Afonso V com sua prima D.Isabel filha do seu tio D.Pedro. O contrato nupcial só será celebrado em Maio de 1447.

Outros acontecimentos em Portugal
  • Ordenações Afonsinas.
Esta ordenações consistiram numa colectânea de todas as leis que tinham sido publicadas no Reino e que correspondia a um pedido várias vezes solicitado em Cortes, por forma a que se coordenasse e actualizasse o direito vigente, para a boa fé e fácil administração na justiça.

Esse trabalho já havia começado no tempo de D.Duarte pela mão do Doutor Rui Fernandes.

As ordenações foram contudo posteriormente revistas pelo regente D.Pedro.
As Ordenações encontram-se divididas em cinco livros.

Todos os livros são precedidos de preâmbulo, que no primeiro é mais extenso que nos restantes, pois lá se narra a história da compilação.

Quem estiver interessado na leitura integral clicar aqui

Este trabalho foi realizado por:
Livro I,II,III e IV
Ivone Susana Cortesão Heitor
Livro V
Anabela Maia
Liliana Ventura
José Carlos Marques
Duarte Freitas

Nas cadeiras de Introdução à Informática para as Ciências Sociais e Humanas e Métodos informáticos paras as Ciências Sociais e Humanas, do Instituto de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras de Coimbra.
  • Novas aventuras no desconhecido
.Expedição de Álvaro Fernandes, que terá atingido o rio Casamansa e a enseada final de Varela, no limiar norte da actual Guiné-Bissau, passando 110 légua além de Cabo Verde.

.Nuno Tristão, parte para um reconhecimento da costa africana, atingindo o rio do Nuno na Guiné francesa. Sendo morto nesta empresa pelo nativos

.João Infante filho de Nuno Tristão, descobre o rio Grande (rio Geba na actual Guiné-Bissau).

.Estevão Afonso atinge o rio Gâmbia na região dos Mandingas.

sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Primeiras aventuras no desconhecido(1445)

Neste ano aconteceram mais algumas incursões marítimas, algumas ainda um pouco incipientes como a de Dinis Eanes da Grã, Álvaro Gil percorrendo 6 léguas par além de Cabo Verde na hoje designada Petite Côte que é um troço de costa senegalesa situadas a sul de Dakar, entre Península de Cabo Verde e do Sine-Saloum.

Outras de maior dimensão com a frota organizada em Lagos, donde saiu Álvaro Fernandes, sobrinho de João Gonçalves Zarco, que passando Cabo Verde segue até ao cabo dos Mastos ou Vermelho.

João Fernandes, companheiro de Antão Gonçalves na viagem ao Rio do Ouro, deambula pelo interior de África até Tegazza (região dos Tuaregues), durante sete meses é o 1º explorador europeu em África.Saí em demanda do Prestes João. Rei que se julgava existir e ser católico que ajudaria na conquista de Marrocos.

A casa dos Tratos de Arguim (Mauritânia) inicia as suas actividades comerciais em Lagos ao mesmo tempo que se inicia a construção duma feitoria naquele local, que seria o primeiro estabelecimento comercial dos Portugueses na África negra.

4ª expedição comandada por Nuno Tristão vai até ao Rio Grande que corresponde ao Geba ou à Gâmbia.

Outros acontecimentos em Portugal
  • Fevereiro,18-Morte em Toledo de D.Leonor de Aragão, viúva de D.Duarte e mãe do rei D.Afonso V.
O regente D.Pedro consegue trazer para Portugal a jovem infanta D.Joana que se junto em Lisboa a sua irmã Catarina ficando ambas entregues aos cuidados duma ama comum, mas que viriam a ter destinos bem diferentes.

D.Joana viria a casar com Henrique IV de Castela, casamento de que nasceu D. Joana, a Beltraneja, para muitos considerada filha dos amores adulterinos de D. Joana com o nobre D. Beltrán de la Cueva.

D.Catarina, rometida a D. Carlos, príncipe de Navarra, por morte deste recolheu-se ao Convento de Santa Clara.

Foi princesa culta e autora de várias obras de fundo religioso e moral.
  • Maio,19-Batalha de Olmedo-As tropas do condestável de Castela Álvaro de Luna, com ajuda de reforços enviados pelo regente D.Pedro, cerca de 2000 cavaleiro e 4000 peões comandados pelo seu filho e condestável do Reino D.Pedro. Vence os rebeldes revoltoso e c que contestavam a coroa de D.João II de Castela.
Um dos mais importantes nomes do Renascimento, algumas de suas obras, como O Nascimento da Vênus e Primavera, são consideradas exemplos perfeitos do ideal renascentista.

Nascido em Florença, Alessandro Di Mariano Filipepi era filho de um curtidor de couro. O nome Botticelli foi derivado do apelido de seu irmão mais velho, Giovani, conhecido como Il Botticello (o pequeno barril).

sábado, 5 de Janeiro de 2008

O comércio de escravos um novo negócio

  • Agosto,08-A partilha de escravos na vila de Lagos
(antigo mercado de escravos em Lagos)

As viagens portugueses à África Ocidental sofreram uma pequena pausa (ou abrandamento), no último quartel dos anos trinta, mas foram retomadas no princípio da década de quarenta, com resultados que pareciam ter uma importância económica significativa, sobretudo a captura de escravos, ao ponto de motivarem a iniciativa privada para armar navios e levar a cabo algumas expedições.

A primeira delas tem lugar no ano de 1444, é proposta por um tal Lançarote,“almoxarife de el-Rei naquela vila de Lagos”, e leva como segunda figura e capitão de um dos navios, Gil Eanes, “aquele que escrevemos que primeiramente passara o cabo Bojador” – como diz o cronista.

São seis caravelas que se dirigem à Ilha das Garças, a sul dos Baixos de Arguim, onde Nuno Tristão já tinha estado no ano anterior.

A expedição tinha objectivos essencialmente comerciais, mas isso não era incompatível com a exploração de algumas das ilhas mais a sul, sobre as quais, aliás, já havia informações concretas de que era possível fazer grande número de cativos, como viria a acontecer.

Em Naar e Tider, com relativa facilidade, deram caça aos mouros que andavam desprevenidos em fainas de pesca, ou que viviam perto da costa. A zona não é fácil para a navegação com as caravelas, mas à custa dos batéis e com saídas bruscas obtiveram o maior número de escravos que alguma vez tinha sido feito por qualquer expedição portuguesa.

No dia 8 de Agosto de 1444 – um dia após a sua chegada – teve lugar no terreiro, defronte da porta da vila de Lagos, a macabra partilha duma mercadoria que se viria a tornar habitual.

Esta partilha tem como assistente o Infante D.Henrique e a crónica dos feitos da Guiné de Zurara, relata dum forma impressionante, eis uma passagem ;


Mas qual seria o coração, por duro que ser podesse, ti que não fosse pungido de piedoso sentimento, vendo assim aquela companha? Que uns tinham as caras baixas e os rostros lavados com lagrimas, olhando uns contra os outros; outros estavam gemendo mui dolorosamente, esguardando a altura dos ceus, firmando os olhos em eles, bradando altamente, como se pedissem acorro ao Padre da natureza; outros feriam seu rostro com suas palmas, lançando-se tendidos no meio do chão; outros faziam suas lamentações em maneira de canto, segundo o costume de sua terra, nas quaes, posto que as palavras da linguagem dos nossos não podesse ser entendida, bem correspondia ao grau de sua tristeza.

  • Outras incursões pela costa de África neste ano
Gonçalo Sintra descrito por Zurara como tendo sido «moço de estribeyra» e mais tarde escudeiro do Infante D. Henrique, e que, ao seu serviço, juntamente com Dinis Dias, terá descoberto o Cabo Branco e a ilha de Arguim, vindo a falecer, juntamente com a tripulação em 1444 na ilha de Naar ou de Tíder.

Diogo Afonso, criado do Infante D.Henrique, juntamente com Antão Gonçalves e Gomes Pires, terá chegado ao Rio do Ouro, com 3 caravelas.

É ainda em 1444 que um caravela comandada por Nuno Tristão realiza um progresso significativo, a chegada à Terra dos Negros ou Guiné, que garante aos navegantes que haviam chegado a um novo espaço verde e de aparência fértil em contraste com a terra desértica e arenosa que até aí haviam tocado.

Dinis Dias volta outra vez ainda este ano, comandando uma caravela armada em Lagos, avançando até à ilha da Palma no actual Senegal.

sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Acontecimento no ano de 1443


  • Nuno Tristão atinge as ilhas Gete, Garças e Arguim no golfo de Arguim.
Nuno Tristão foi o primeiro português a capitanear uma caravela a sul do cabo Bojador.
A ele se deve o reconhecimento do Golfo de Arguim, onde posteriormente se procedeu à construção de uma feitoria. Grande impulsionador do comércio africano, morreu envenenado por setas indígenas durante uma escaramuça na zona da Senegâmbia.

  • Intensifica-se a colonização dos Açores.
Em 1439 o Infante inicia a colonização das ilhas num processo que seria extremamente lento e difícil não só pela falta de mão-de-obra disponível no reino, como, e essencialmente, pela severidade do terreno e pelo assombro da missão.

Os primeiros povoadores lutaram não só contra as contrariedades da geografia das ilhas, ausentes de bons portos de ancoradouro, plenas de escarpas e declives abruptos, fenómenos vulcânicos, sismicidade, clima adverso, mas também contra um enorme manto de misticismo que cobria esta parte do oceano, um enorme nevoeiro de incerteza.

É principalmente por isto que a colonização das ilhas é feita lentamente e por gentes de várias proveniências, não só de várias partes do Portugal continental, Alentejo e Algarve predominantemente, mas também do Minho e da Beira, bem como da Flandres e de Castela, ao que se juntaram escravos e degredados.

São escassos os dados concretos sobre a história e a sequência do povoamento das ilhas, mas sabe-se da doação a Gonçalo Velho de Santa Maria, da colonização de São Miguel por criados do Infante e fidalgos madeirenses no lugar da Povoação, do recurso a flamengos, fruto das boas relações, à época, de Portugal com a Flandres, dos quais se destacam Jacome de Bruges que se fixou na ilha Terceira, Jost von Verter (Jost de Utre, Josse Dutra) e Willem van der Hagenterceirenses e madeirenses


(ver o excelente artigo Esquiços para uma ideia de açores IV )


quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1442

(armas primitivas da Casa de Bragança)


  • Janeiro,25-Cortes de Évora-Confirmação das cortes de 1439 e decisão de confiscação de todos os bens de D. Leonor e proibição de voltar a Portugal.
Foi além disso clarificada nestas Cortes que a defesa desta posição, poderia levar ás últimas consequência de entrar em guerra com Castela.

Decisão que foi comunicada aos embaixadores que então se encontravam na Corte portuguesa.
Foi mesmo decidido enviar uma embaixada à corte castelhana para explicar os inconvenientes do regresso de D.Leonor a Portugal.

Despede-se então D.Leonor de Aragão a Treiste Reina da corte portuguesa para se refugiar em Toledo, como pobre e envergonhada recolhida à caridade de D.Maria Silva.
  • Outubro,18-Ordem de Santiago- Por morte de D.João em Alcácer do Sal, sucede-lhe como governador daquela Ordem e no cargo de Condestável do Reino, o seu filho D.Diogo.
D.João filho de D.João I e D.Filípa de Lencastre era tio do rei D.Afonso V. Foi designado mestre da Ordem de Santiago de Espada em 1418.
Nas Cortes de Leiria de 1438, pronunciou-se a favor da entrega de Ceuta para resgate do infante D. Fernando, seu irmão.
  • Dezembro,30-Casa de Bragança-D.Pedro regente em nome de D.Afonso VI doa a D.Afonso conde de Barcelos a vila de Bragança com o titulo de duque.

D.Afonso filho natural de D.João I e de Inês Pires Esteves, foi o 1º Duque de Bragança, ele que já era conde de Barcelos, inaugurou uma dinastia, que haveria de ser considerada a família mais poderosa de Portugal, cujo 8º duque será mais tarde coroado como rei como D.João IV em 1640, mantendo-se como detentores da coroa durante mais 270 anos.

O património do duque de Bragança foi bastante alargado quando do seu casamento com D. Beatriz Pereira de Alvim, filha de D. Nuno Álvares Pereira e de D. Leonor Alvim


quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1441(I)

(De Van Eyck "A adoração do Cordeiro místico" (1432) da igreja de são Bavo, em Gand


  • Fevereiro,13-Forças do regente D.Pedro dirigem-se a Lamego para afrontarem o conde de Barcelos.
O conde Barcelos era um dos principais apoiantes da Rainha D.Leonor, tendo organizado um exército que veio a concentrar-se primeiro em Guimarães e depois em Mesão Frio, perto de Lamego, enfrentando o poderío militar de D.Pedro que já se encontrava em Lamego nesta data.

Não chegou a haver batalha atendendo à intermediação do conde de Ourém, filho do conde de Barcelos. Bem pelo contrário foi possível até estabelecer-se um acordo de não agressão e a aceitação por parte do Conde de Barcelos das decisões das Cortes de Lisboa.
  • Gomes Eanes prior-mor de Santa Cruz de Coimbra.
  • Viagem de Nuno Tristão ao Cabo Branco e Antão Gonçalves ao rio do Ouro
Enviados pelo infante D.Henrique com a missão de explorar a costa ocidental da África a sul do Cabo Branco. Integrando um mouro que actuava como intérprete, a expedição liderada por Nuno Tristão ultrapassou aquele Cabo, à altura o ponto mais meridional atingido pelos exploradores europeus, e durante dois anos permaneceu nas águas do noroeste africano, avançando até ao Golfo de Arguim, na actual costa da Mauritânia, onde caçaram 28 escravos, que mais tarde foram desembarcados em Lagos.

domingo, 11 de Novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1440


(gutenberg)


  • Nova expedição ás canárias sob o comando de D.Fernando de Castro governador da casa do Infante.
  • Fundação por Franciscanos do primeiro convento na ilha da Madeira.
Quando os Franciscanos vieram para a ilha, instalaram-se numa modesta habitação e, depois disso, quando regressaram, instalaram a sua comunidade no antigo hospício de São João. Depois disso, os Franciscanos começaram a procurar um sítio maior, construindo o convento onde hoje se encontra o Jardim Municipal.
  • Maio,08-Carta de doação do infante D.Henrique da capitania-donatário do Machico (Madeira) a Tristão Vaz Teixeira.
O infante D. Henrique doa a Tristão Vaz e seus descendentes a Capitania de Machico (que se estendia desde a Ponta da Oliveira, no Caniço, até à Ponta de S. Lourenço e desta até à Ponta do Tristão, no Porto Moniz). Machico torna-se, assim, a primeira sede de capitania do arquipélago da Madeira.
  • D.Leonor de Aragão retira-se para o Crato recolhendo-se com o apoio do mestre da ordem do Hospital, , onde aguarda uma prometida intervenção das forças de Castela a seu favor, a qual acabou por não se materializar.

  • Abril,05-O regente D.Pedro confia ao seu amigo D.Álvaro Vaz de Almada a alcaidaria de Lisboa.
.Álvaro Vaz de Almada, foi um dos maiores homens do seu tempo. Por mercê de Carlos VII da França, datada de 4 de Agosto de 1445, foi agraciado com o título de 1º conde de Avranches(Abranches em Portugal).

Foi Cavaleiro da Ordem da Jarreteira e Alcaide-Mor de Lisboa. Em 1415, esteve na tomada de Ceuta, onde foi armado Cavaleiro. Foi um dos "doze de Inglaterra". tomou parte na batalha de Azincourt, em 21/10/1415.




terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Cortes de Lisboa-(1439)

As decisões das Cortes de Torres Novas, no que à regência de D.Leonor de Castela, mãe do Rei, em breve viriam a ser alteradas, por várias razões de natureza política.

A regência partilhada não colheu efeitos positivos, porque a Rainha se mostrou pouco astuta, no exercício do poder e no seu relacionamento com os interesses dos três estados, para além da falta de conexão entre os dois regentes.

A decisão de atribuição dalguns direitos comerciais sobre os comerciantes de Lisboa, ao aio da Rainha, trouxe a insurreição popular à cidade, que rapidamente saíram fora do controle da ordem judicial.

Um sermão pregado na igreja de São Domingos, que deveria trazer tranquilidade ao povo, foi conduzido de forma diferente fazendo aumentar os receios que o povo demonstrava ter pela repressão que esperavam, a Rainha movesse contra a população.

Claro que a agitação popular era manipulada e não é difícil adivinhar por quem.

Porém as tentativas de D.Leonor em contrariar essa onda de boatos, não colheu os resultados esperados, adicionado que foi o factor da possível intervenção dos infantes de Aragão, irmãos da Rainha, que colocava no centro das preocupações outra crise idêntica à ocorrida em 1385.

Naturalmente que a este agravamento não foram estranhos os esforços do "partido" de D.Pedro, já que as divergências abertas entre D. Leonor e D. Pedro, duque de Coimbra, já haviam começado. por motivo da nomeação de um servidor do arcebispo de Braga para escrivão da Câmara do Porto.

Embora a Rainha, houvesse recusado a presença do jovem rei, nas cortes de Lisboa, iniciadas em 30 de Dezembro, veio a ceder por força da pressão exercida, por todos os tios de D.Afonso.

Nessas cortes, o regimento de Torres Novas é anulado e o infante D. Pedro, duque de Coimbra, é declarado "Regedor e Defensor do Reino", tal como o fora seu pai D.João I.

É também designado tutor e curador do rei, tendo sido enumeradas várias razões, quer de ordem meramente pedagógica, sobre a incapacidade da mãe para a educação do jovem Rei, ou facto da possibilidade da mãe, educar seu filho no ódio contra o regente D-Pedro, como de ordem económica, devido á despesas de manutenção de D.Afonso, de seu irmão e da própria Rainha.


A Rainha tenta resistir, auxiliada por forças internas e pela promessa de ajuda de seus irmão de Aragão, mas acaba por ceder. A "Treiste Reinha" decide então deixar o rei D.Afonso seu irmão em Santo António dos Olivais e partir com as filhas para Sintra.

segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Acontecimentos do ano de 1439


  • Carta de Gabriel de Valseca, de Maiorca, na qual são representadas as 9 ilhas dos Açores.
A carta de 1439 do catalão Gabriel de Valsequa apresenta dados mais precisos sobre a descoberta do arquipélago açoreano uma vez que surge já, com algum rigor, a representação dos Açores, em cuja legenda se afirma que estas ilha teriam sido descobertas por um Diego de ?, não sendo possível identificar o segundo nome. De acordo com a leitura feita por Damião Peres, este Diego seria Diogo de Silves. Assim, e à falta de mais dados convincentes para a atribuição do descobridor dos Açores, crê-se que realmente estas ilhas teriam sido descobertas por Diogo de Silves, marinheiro do Infante D. Henrique, no ano de 1427.

  • Março, 31-Nascimento da infanta D.Joana, irmã de D.Afonso V.
D. Joana, nasceu na Quinta do Monte Olivete, em Almada, a 31 de Março de 1439, seis meses após a morte do progenitor; morreu em Madrid, a 13 de Junho de 1475. Casou em 1455 com Henrique IV de Castela, casamento de que nasceu D. Joana, a Beltraneja, para muitos considerada filha dos amores adulterinos de D. Joana com o nobre D. Beltrán de la Cueva.
  • Outubro, 25-Falecimento em Bordéus da condessa de Arundel, D.Beatriz, tia do rei.
D. Beatriz (n. talvez em Veiros, por 1382; faleceu de peste em Bordéus, a 25 de Outubro de 1439). Casou, no ano de 1405, com Tomás Fitzalan, 7 ° conde de Arundel, pelo que seguiu para Inglaterra; e, tendo enviuvado, a 13 de Outubro de 1415, tornou-se esposa de Gilberto Talbot, barão de Irchenfield, falecido pouco depois. Pretende-se que em 1432 a infanta voltou a casar com John Holland, filho do duque de Exeter.

segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Acontecimentos no ano de 1438



*Morte de Mestre Huget, mestre arquitecto irlandês que sucedeu a Afonso Domingues em 1402 na construção do Mosteiro da Batalha.
Mestre Huguet introduziu na obra, com notável brilhantismo, o gótico flamejante que hoje se admira na fachada do Mosteiro e na Capela do Fundador.

*Infante D.Fernando é transferido para Fez- Na sequência da desastrosa campanha de África, o infante fica prisioneiro dos mouros, como penhor dum eventual resgate que Portugal nunca pagou. Foi nesta altura transferido para Fez, sendo tratado ora com todas as honras, ora como um prisioneiro de baixa condição, sobretudo depois de uma tentativa de evasão gorada, patrocinada por Portugal




terça-feira, 2 de Outubro de 2007

Cortes de Torres Novas(1438)

As cortes reunidas em Torres Novas serviriam para prestar homenagem ao rei Afonso V e ao mesmo estudar a questão polémica da regência, que entregue a sua mãe D.Leonor, suscitaria da parte de alguma nobreza a desconfiança que resultava da sua ascendência aragonesa, poder vir a ser manobrada pelo seus irmãos então em guerra com Castela.

Foi então aprovado o Regimento do Reino de 1438, por proposta do Infante D.Henrique, destinada a vigorar vigorar até que D. Afonso atinja a maioridade política, que aconteceria em 1446.

A proposta foi aprovada pela principal nobreza do País, e nela a Rainha aceitou a partilha do poder incumbindo-lhe o papel de tutora e curadora do filho, com a administração das rendas e ofícios,ficando o seu cunhado D.Pedro com a tarefa da defesa nacional, com o título de defensor e ao conde de Arraiolos a responsabilidade da Justiça.

Destas cortes nasceriam realmente dois poderes que viriam marcar toda a infância do rei.
Leonor de Aragão coube a posição de maior mando na condução da política geral e a chefia militar a D.Pedro.

A proposta de casamento do rei com e D.Isabel filha de seu tio D.Pedro, ficaria anulada, por pressão do conde de Barcelos que pretendia que o futuro casamento real, fosse com sua neta D.Beatriz.

Um novo episódio contudo vem agravar o contexto, já de si bastante débil, no que à questão da regência dizia respeito. O infante D.João o mais novo dos irmãos de D.Duarte, (não contado com o seu irmão Fernando cativo em Fez nessa altura), recuperado duma longa doença que o retivera em Alcácer do Sal, só então teve conhecimento da morte de seu irmão o rei D.Duarte. Embora desde logo tenha prometido obediência ao novo Rei, declarou desde logo a sua discordância quanto ao facto de ser a Rainha sua cunhada a deter mesmo em partilha a regência do Reino


sábado, 15 de Setembro de 2007

A regência de D.Leonor de Aragão


A morte de seu pai aos 6 anos e 7 meses e cujo funeral de Tomar para a Batalha, não acompanhou, fez com que D.Afonso V, nesse mesmo dia de Setembro tivesse sido jurado e aclamado como o 12º rei de Portugal, ao mesmo tempo que seu irmão D.Fernando, uma ano mais novo e que haveria de ser adoptado pelo seu tio o Infante D.Henrique, seria juramentado como Príncipe e herdeiro de coroa.

Em tempo de peste, que havia morto o pai de ambos, justificavam-se os cuidados.

Claro que foi necessário assegurar a regência do Reino em nome de D.Afonso V atendendo à sua menoridade, seguindo-se o que D.Duarte havia meticulosamente decidido em testamento, segundo rezam cronistas da época, já que o referido documento, por força dos acontecimentos que iriam seguir-se desapareceu dos arquivos.


Os cronistas referem pois a Rainha D.Leonor , sozinha, como
governador dos seus reynos e curador de seus filhos.

Vontade expressa no seu último testamento, aberto por D.Leonor em Tomar, ainda segundo referem as crónicas. Contudo ainda segundo as mesmas fontes, o rei teria manifestado a sua intenção por palavras, de em caso de sua morte deixar como curadores do herdeiro da coroa, os seus irmão D.Pedro e D.Henrique.

D.Leonor de Aragão a Treiste Rainha, como passou sempre a subscrever-se até à sua morte, segundo se depreende de vários testemunhos, era um mulher enérgica e decidida, qualidade que D.Duarte admirava e deixou expresso no seu livro o Leal Conselheiro.

Uma das primeira iniciativas da regência, foi a proposta do casamento do jovem Rei com infanta D.Isabel de Lencastre, fila do duque de Coimbra o seu cunhado D.Pedro, segundo dizia cumprindo a vontade "por palavras" de D.Duarte.

Aparentemente a proposta iria ser debatida, pese a pouca idade do Rei, nas Cortes que se iriam realizar em Torres Novas


terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Nascimento e infância

Nasceu no Paço de Sintra a 15 de Janeiro de 1432, filho de D.Duarte o Eloquente e de D. Leonor de Aragão da casa dos Transtâmaras na coroa da Catalunha e de Aragão, filha de Fernando I.

Foi o terceiro na ordem de nascimento dos seus 7 irmãos

Do rigor cultural de seu pai, podem recolher-se pormenores dos seus escritos em forma de diário de extremo rigor pelo que não é difícil saber o dia a hora exacta e o local do nascimento de cada um dos seus 8 filhos, provavelmente pelo facto de ter em grande linha de conta o conhecimento astrológico.

Há pouca informação sobre a infância de D.Afonso, rei de Portugal por morte de seu pai aos 6 anos e 7 meses, durante a regência de seu tio D.Pedro.

Foi jurado herdeiro do trono com 1 ano em 1433, após a morte do seu irmão primogénito que igualmente se chamava João, como seu avô.

Nesse mesmo ano em Novembro D.Duarte nomeia os seu irmãos D.Pedro e D.Henrique como curadores do herdeiro do trono.

As notícias do desastre de Tanger em 1438 no qual foi aprisionado o irmão de seu pai D.Fernando deixaram D.Duarte profundamente abatido.

Alguns dias antes da sua morte estando em viagem pelo Alentejo, acaba a família real por ir para Tomar, onde após 13 dias de febres, D.Duarte acaba por falecer na noite de 9 para 10 de Setembro de 1438.


Na altura as causa da morte de D.Duarte dividiram-se para uns o abatimento e a melancolia pelo desastre de Tanger, para outros de forma mais plausível, vitimado pela peste bubónica.

Foi a sepultar D.Duarte no Mosteiro da Batalha e no dia seguinte D.Afonso "foy alevantado por Rey em ydade de sex anos e meio"